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CORONAVÍRUS

Fala de Bolsonaro pode atrasar vacina

Bolsonaro insinuou em discurso que o vírus da covid-19 pode ter sido criado pela China

Estadão Conteúdo

08/05/2021 04h04

 presidente Jair Bolsonaro
Agência Brasil presidente Jair Bolsonaro

O Instituto Butantan pode atrasar entregas da vacina Coronavac ao Ministério da Saúde por falta de insumo farmacêutico ativo (IFA) importado da China. O presidente da instituição, Dimas Covas, atribuiu o possível atraso à postura do governo Jair Bolsonaro em relação ao país asiático - um atraso já é previsto para este mês.

Bolsonaro insinuou em discurso que o vírus da covid-19 pode ter sido criado pela China como parte de uma "guerra bacteriológica" Recentemente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em uma reunião - que não sabia ser gravada - que o coronavírus teria sido criado por chineses.

Dimas Covas falou em coletiva durante a entrega de 1 milhão de doses da vacina ao Programa Nacional de Imunização (PNI). Segundo ele, o atraso na chegada do IFA não se deve a problemas na produção da Sinovac, que envia a matéria-prima ao Butantan, mas à demora na autorização de envio pelo governo chinês. E acrescentou que as declarações recentes contrárias à China, partindo do governo federal, têm dificultado a liberação das remessas.

"Embora a Embaixada da China no Brasil venha dizendo que não há esse tipo de problema, a nossa sensação, de quem está na ponta, é de que existe dificuldade. Uma burocracia que está sendo mais lenta que o habitual e autorizações com volumes cada vez mais reduzidos. Essas declarações têm impacto e nós ficamos à mercê dessa situação", ressaltou. "Nós temos de entregar até dia 14 o restante - que vai totalizar 5 milhões de doses - do IFA de 3 mil litros e, após isso, não temos mais matéria-prima para processar. Pode faltar? Pode. E aí temos de debitar isso principalmente ao nosso governo federal, que tem remado contra "

Também presente na entrevista, na sede do Butantan, o governador João Doria (PSDB) cobrou que o recém-nomeado ministro das Relações Exteriores, Carlos França, atue para desfazer o que chamou de "profundo mal-estar" causado pelas declarações do presidente. "Ele é o chanceler. Ele é quem tem de falar com o embaixador da China no Brasil, com o embaixador do Brasil em Pequim e tomar providências. Até agora não ouvi nenhuma informação de medidas tomadas pelo Ministério."

Novas entregas

O Butantan esperava para a primeira quinzena de maio um lote de 6 mil litros de IFA da China, mas a expectativa agora, segundo Covas, é de que só cheguem 2 mil litros ao País até o dia 13. Com a entrega desta quinta-feira, o Butantan totalizou o repasse de 43,05 milhões de doses da coronavac ao PNI. De acordo com dados da Saúde, a CoronaVac responde hoje por 75,3% das vacinas já aplicadas.

Reação chinesa

O governo da China avisou que se opõe com firmeza a "qualquer tentativa de politizar e estigmatizar" a pandemia. A resposta é a reação de Pequim à insinuação do presidente Bolsonaro de que aquele país poderia ter criado o vírus.

"O vírus é o inimigo comum da humanidade", afirmou Wang Wenbin, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.. "A tarefa urgente agora é que todos os países se unam contra a pandemia e se esforcem por uma vitória rápida e completa. Nos opomos firmemente a qualquer tentativa de politizar e estigmatizar o vírus." (Com agências internacionais)

 

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