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VETOS AO ORÇAMENTO

Cortes em áreas sociais integram projeto de desmonte deliberado

Cientista política prevê aumento do desemprego e do deficit habitacional

Bruno Fernandes

01/05/2021 11h11 - Edição 1116

Bolsonaro voltou a criticar o isolamento social
DivulgaçãoBolsonaro voltou a criticar o isolamento social

A fome e a falta de moradia voltaram a assombrar os brasileiros mais pobres. Além da pandemia e do impacto com as quase 4 mil mortes diárias pela covid-19, há uma tempestade nesse caos que coloca em risco a maior parte da população: o corte nos programas sociais, a possibilidade da paralisação do programa habitacional na faixa mais acessível e o aumento no preço de itens essenciais do dia a dia.

Um dos cortes mais recentes e que pegou até os próprios ministros de surpresa foi o de 95% do orçamento que permitiria a conclusão de cerca de 250 mil obras do antigo Minha Casa, Minha Vida, rebatizado em 2020 para Casa Verde e Amarela pelo Governo Jair Bolsonaro. Recursos para saúde e educação também foram eliminados da lei orçamentária.

Para a doutora em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Lorena Madruga Monteiro, os cortes não passam de um projeto de desmonte deliberado. “Os vetos efetuados pelo presidente Bolsonaro na previsão orçamentária de 2021, em especial aqueles que ocasionaram cortes de recursos nas áreas sociais, revelam um projeto de desmonte deliberado e proposital das políticas públicas no Brasil'', afirma a especialista.

Ainda segundo Lorena Monteiro, no caso específico do Casa Verde e Amarela, os cortes substanciais de recursos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) que financia o programa habitacional inviabilizam sua continuidade.

“O desmonte desse programa tem impactos imediatos e a longo prazo. De imediato, diante de uma crise econômica, crise sanitária e de saúde pública ocasionada pela pandemia do coronavírus, esses cortes nos recursos da política paralisam uma série de obras em andamento e afetam, num cenário de aumento do desemprego, empregos diretos e indiretos. A médio e longo prazos impactam o setor de construção, gerando novos entraves ao enfrentamento da crise econômica, e aumento progressivo do deficit habitacional no Brasil”, pontua a doutora.

Gás e comida disparam

Não bastasse a falta de futuras moradias e um iminente aumento no número de desempregados nos próximos meses devido aos cortes no orçamento, o brasileiro também tem outra preocupação: o preço do gás de cozinha e de itens da cesta básica. Em relação ao gás, que chega a custar R$ 85 na capital alagoana, sua escalada ganhou força no fim de 2019, após o fim do subsídio cruzado dado pela Petrobras desde 2003.

Há dois meses o preço médio do botijão ultrapassou pela primeira vez a barreira dos R$ 81. Na última semana, segundo a Agência Nacional do Petróleo, o produto era vendido a R$ 84, alta de 22% em relação ao valor vigente na semana em que o subsídio foi extinto, em 2019.

Em relação ao valor da cesta básica, a pesquisa mensal do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelou que, embora Alagoas não participe do levantamento, foi possível observar um aumento no preço dos 12 produtos que compõem a cesta de pelo menos cinco estados nordestinos, com uma média de R$ 517,05.

De acordo com o Dieese, em seis meses a cesta básica aumentou 6,44% e 8,83% na comparação de março deste ano com mesmo mês em 2020. Isto significa que a alimentação básica em março de 2021 (R$ 517,05) está mais cara do que em setembro de 2020 (R$ 485,75) e em março de 2020 (R$ 475,11).
Em seis meses, dos produtos que compõem a cesta básica, os únicos itens a apresentar redução no preço foram o tomate (-18,50%) e o leite (-3,34%). Os itens que apresentaram as maiores elevações foram a farinha (20,63%), o óleo (16,40%) e a carne (14,11%).

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