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ELEIÇÕES 2022

Efeito Lula embaralha disputa em Alagoas e aproxima Renan e Lira

Três grupos se embolam e temor de Collor é aliança entre Renan Filho e Marcelo Victor

Odilon Rios - Especial para o Extra

30/04/2021 13h01 - Edição 1116

Marcelo Vitor e Renan Filho
DivulgaçãoMarcelo Vitor e Renan Filho

A presença do ex-presidente Lula nas eleições do próximo ano mexe cada vez mais no cenário político alagoano. No quebra-cabeças atual existem três grupos: o do governador Renan Filho (MDB) e o senador Renan Calheiros (MDB); o do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), e o presidente da Assembleia, Marcelo Victor (SDD) e; o senador Rodrigo Cunha (PSDB) e o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PSB).

A questão é saber qual o grupo do senador Fernando Collor (PROS). Ora ele é citado como aliado de JHC, ora como aliado de Arthur Lira. Collor, aliás, tem livre trânsito no Governo Jair Bolsonaro, mas disse publicamente que Lula foi injustiçado pelo ex-juiz Sérgio Moro. Ou seja: pode mudar de lado se o barco governista der sinais de que vai afundar.

Fato é que Renan Calheiros e Arthur Lira conversam entre si sobre a posição da Assembleia Legislativa que elege, em 2022, o governador-tampão para substituir Renan Filho. O mais cotado é Marcelo Victor, que tem repetido: aceita ir ao sacrifício desde que dispute a reeleição ao governo.

Lula quer palanques, liderados ou não pelo PT, e com nomes fortíssimos em todos os estados para garantir a sua disputa presidencial. Se Renan Filho deixar o governo e Marcelo Victor virar governador, o grupo de Arthur Lira chega ao comando do Estado. E Lira é aliado de Jair Bolsonaro. Como fica?

Inimigos cordiais

Fica como sempre foi. Arthur Lira, líder do Centrão, assim como Renan Calheiros, escorregam por todos os governos em Brasília. Lira chegou a interferir para evitar a escolha de Renan para a relatoria da CPI da Covid no Senado. Pouco adiantou. Presidente da Câmara, fez críticas à atuação do Senado nas investigações sobre a pandemia, um aceno ao Palácio do Planalto de demonstração de fidelidade ao presidente da República.
Na prática, porém, Lira e Renan Calheiros se comportam como inimigos cordiais: mantêm conversas bem produtivas e não fazem ataques públicos entre si.

Os resultados começam a surgir. Esta semana os deputados vão receber, cada um, R$ 2 milhões em emendas para a saúde. Já Marcelo Victor não vai abrir uma CPI para investigar os recursos públicos na pandemia no Governo Renan Filho. Sobram apenas as vozes isoladas de Davi Maia (DEM) e Cabo Bebeto (PTC).

Maia deve subsidiar o senador Rodrigo Cunha (PSDB) com informações estaduais para a CPI da Covid. Cunha procura saber como andam as investigações para a compra, sem a entrega, de respiradores feita pelos governadores do Nordeste via Consórcio Nordeste. Os olhos estão nos contratos assinados com a empresa Hempcare.

Nas investigações da Polícia Civil da Bahia, na Operação Ragnarok, descobriu-se um esquema com fraudes de R$ 48 milhões. Este dinheiro foi pago com antecipação para a compra de 300 ventiladores clínicos para UTIs. Alagoas está na lista dos enganados.

“Queremos saber onde foram parar estes recursos, porque que Alagoas não recebeu parte dos respiradores que adquiriu, quem foi punido por este alegado desvio e quais providências os agentes públicos do estado adotaram. Neste momento de pandemia e de crise, muitos se aproveitaram para praticar atos de corrupção em nome do falso combate à covid-19”, disse o senador.

Em fase de reabilitação político-eleitoral, Rodrigo Cunha é cotado para disputar o governo ano que vem, mas não quer subir no palanque de Fernando Collor, pedindo votos a ele para o Senado. JHC, por sua vez, prefere Cunha a Collor. E cozinha o ex-presidente da República, que, por enquanto, aceita estar em banho-maria.
O pior cenário para Collor é: Renan Filho deixando o governo, disputando o Senado e Marcelo Victor assumindo o governo, indo para a reeleição.

Collor sabe: o entendimento entre Renan Filho e Marcelo Victor já começou. Mas também sabe que não pode se indispor com todos grupos ao mesmo tempo. Seus aliados repetem: elle não teme ficar só no próximo ano.

Ronaldo Lessa

O prefeito também infla os bastidores ao dizer que aceita disputar o governo para o vice, Ronaldo Lessa (PDT), assumir a Prefeitura. JHC busca atrair votos da esquerda com esta estratégia.

Essa proposta deve inviabilizar nomes à esquerda nas eleições, com candidaturas apenas para ajudar palanques nacionais, porém com votos cheios divisões. Como o PSOL, que deve lançar Guilherme Boulos, mas que em Alagoas é uma legenda sem expressão; o PT, com chances quase nulas de um forte nome ao governo, agregando-se aos Calheiros em busca da sobrevivência local e uma minoria apostando em Lessa para prefeito; Rede, com Heloísa Helena como provável candidata a deputada federal, aliando-se a Marina Silva, cada vez mais próxima de Ciro Gomes, do PDT, cujo maior nome em Alagoas é Ronaldo Lessa.

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