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KARIRI-XOKÓ

Presença de Bolsonaro em Alagoas pode ter protesto com mais de 4 mil índios

Tamara Albuquerque

28/01/2021 05h05 - Atualizado em 28/01/2021 09h09

Bolsonaro é esperado para inauguração de ponte sobre o São Francisco
Agencia BrasilBolsonaro é esperado para inauguração de ponte sobre o São Francisco

A presença do presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira, 28, na solenidade de abertura de tráfego da nova ponte sobre o Rio São Francisco, na BR-101, no trecho que liga os estados de Sergipe e Alagoas, deve ser acompanhada por um público inusitado: os índios alagoanos que habitam a maior aldeia do estado no município de Porto Real do Colégio.

Mesmo temendo represálias do governo federal e após terem sido pressionados por representantes de órgãos governamentais para não participarem do evento, segundo denúncias que chegaram à redação do EXTRA, uma comunidade de quase 4,5 mil índios da etnia Kariri-Xokó esteve reunida ontem à noite para decidir se realiza no local um protesto pacífico.

A inauguração acontecerá às 10h30 no trecho da cidade de Propriá (SE). Entre as queixas dos índios, a principal é o fato de que a duplicação da BR-101, iniciada em terras indígenas na reserva de Porto Real do Colégio, não resultou em compensações para os habitantes como acordado pelo governo. Há uma década o povo Kariri-Xokó espera receber indenização pela extinção da área, sem sucesso ou previsão que ocorra. Além disso, outras queixas são os cortes em benefícios sociais do governo nos últimos anos e a gravidade da exposição ao novo coronavírus pela ineficiência de medidas de proteção e promoção da saúde nas aldeias.

A decisão dos Kariri-Xokó deve ser conhecida somente nesta manhã. A comunidade tem histórico de luta para reivindicar melhorias na qualidade de vida realiza até o próximo domingo uma comemoração sabática que levou à aldeia cerca de 2 mil índios de outras etnias. O protesto, então, pode reunir um dos maiores números de índios já registrados numa situação semelhante em Alagoas, caso ocorra. 

Por outro lado, o governo dobrou o efetivo de tropas federais para garantir a segurança do presidente e convidados na inauguração da ponte, e impedir manifestações contrárias ao Governo Bolsonaro. As tropas chegaram em Sergipe ontem e o quantitativo de militares chamou a atenção da população por onde passou.

Esta é a segunda vez que o presidente Bolsonaro estará em Sergipe em menos de um ano. A primeira visita oficial desde a sua posse aconteceu no dia 17 de agosto passado, quando ele participou da inauguração simbólica da Termoelétrica Porto de Sergipe I, na Barra dos Coqueiros, região metropolitana de Aracaju.

De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a nova ponte, que fica ao lado da ponte antiga, tem 860 metros de extensão e 24 metros de largura. Devem participar do ato de inauguração o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e o diretor-geral do Dnit, general Santos Filho.

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