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SALESIO NUHS

Eduardo Bolsonaro fala 'bobagem' ao acusar monopólio de armas no país, diz presidente da Taurus

BBC

27/01/2020 12h12 - Atualizado em 27/01/2020 12h12

Arma de fogo
IlustraçãoArma de fogo

O CEO da fabricante de armas Taurus reagiu à declaração de Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente Jair Bolsonaro, que pretende atuar para atrair empresas estrangeiras do setor ao país e acabar com o que chama de monópolio no Brasil.

"Esse discurso do Eduardo Bolsonaro é descabido. Não existe monopólio, isso é uma bobagem. Ninguém fabrica no Brasil porque ninguém é maluco de pagar 70% de taxas", afirmou Salesio Nuhs em entrevista à BBC News Brasil na Índia, onde acompanha Bolsonaro em visita oficial como parte de uma comitiva de empresários do setor de defesa.

Eduardo Bolsonaro tem conversado com gigantes estrangeiras do mundo dos armamentos e munições, como a alemã SIG Sauer e a italiana Beretta, e quer ajudá-las a abrirem filiais no Brasil. Outras empresas do setor, como a austríaca Glock e a americana Smith & Wesson também estariam interessadas em investir no país.

O objetivo, diz, é "gerar empregos no Brasil, abrindo finalmente uma concorrência nesse setor, que hoje é dominado pela CBC/Taurus" — empresa privada que é alvo de críticas por dominar o setor e ter forte lobby junto a parlamentares, militares e forças de segurança.

"Se eu tivesse lobby, eu teria resolvido", rebate Nuhs sobre os entraves burocráticos do setor e a alta tributação. Segundo ele, há mais de 200 armas da empresa à espera da homologação do Exército brasileiro para poderem ser vendidas no país.

nulO executivo também negou ter influência sobre o governo Bolsonaro e afirmou que as doações eleitorais que fez a parlamentares em eleições passadas, antes do veto a repasses empresariais em eleições em 2015, foram todas dentro da lei. A Taurus doou, por exemplo, R$ 460 mil em quatro pleitos para Onyx Lorenzoni, hoje ministro da Casa Civil. Ele recebeu ainda R$ 100 mil da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições, também comandada pela Taurus.

O presidente Bolsonaro já prometeu tanto derrubar decretos e portarias do Poder Executivo, que criam obstáculos à importação de armas e munições quanto reduzir a carga tributária que incide sobre os produtos do setor.

Joint venture


Confirmando o que a BBC News Brasil tinha antecipado em matéria publicada no sábado, 25, Salesio Nuhs assinou nesta segunda em Nova Déli documento de criação de joint venture com o Jindal Group para fabricação de armas em território indiano.

"'Um passo muito importante para o futuro da Taurus. Temos 80 anos no Brasil , uma fábrica nos Estados Unidos há 40 anos, porém pela primeira vez estamos num programa de transferência de tecnologia na área de Defesa de governo, de uma grande economia mundial, segundo maior comprador de armas do mundo, a Índia, unindo duas potências econômicas mundiais", disse ele.

O Jindal Group é um dos maiores fabricantes de aço da Índia e terá 51% do capital da joint venture. O projeto prevê a implantação de uma fábrica de armas no país indiano, onde serão produzidos fuzis, pistolas e revólveres. A expectativa da Taurus é de que o governo indiano venha comprar em cinco anos meio milhão de fuzis.

Controlada pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC, única fabricante de munições do país), a empresa fabrica mais de 1,3 milhão de armas por ano, e apenas 15% da produção é voltada ao mercado brasileiro. Hoje, é a quarta marca mais vendida nos Estados Unidos, onde abriu uma fábrica no ano passado, o maior mercado consumidor mundial de armas.

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