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Maluf, Collor e o finado ACM roubam a cena na política e na TV

Motivo de vibração ufanista para uns e de espanto para outros, um fato: o Brasil surpreende o mundo, mais uma vez, nesses dias de passagem do outono para o inverno, do explosivo ano eleitoral de 2012

Terra Magazine

25/06/2012 10h10

Maluf, Collor e o finado ACM roubam a cena na política e na TV

Motivo de vibração ufanista para uns e de espanto para outros, um fato: o Brasil surpreende o mundo, mais uma vez, nesses dias de passagem do outono para o inverno, do explosivo ano eleitoral de 2012. Em tempo: é sabido que eleições municipais são, em geral, as mais esquentadas e cheias de surpresas – para o bem e para o mal – porque mexem com os intestinos e os instintos mais primitivos do país (não apenas dos candidatos e dos políticos). Tempo propício, portanto, para o que se vê estes dias por aí.

Basta olhar as fotografias dos encontro mais polêmico da semana; as imagens congeladas ou transmissões ao vivo da CPMI do Cachoeira e da conferência ambiental Rio+20, ou o noticiário em geral. Desde a última segunda-feira, também, a apresentação na TV de “Gabriela”, a nova mas não menos surpreendente novela das onze da Rede Globo.

Nesses espaços citados – e em outros mais encobertos por nuvens de fumaça ou hipocrisia e com pouca ou nenhuma luz – três antigos personagens (dois vivos e um morto ), roubam a cena. Mesmo quando aparecem, dialogam ou posam, lado a lado, com poderosas e temidas “raposas do pedaço”, na atualidade.

O nome deles?

O primeiro é o deputado federal procurado pela Interpol, Paulo Salim Maluf, sem dúvida o nome da semana e, se duvidar, do ano. O segundo é o ex-presidente (de mandato cassado pelo Congresso) e atual senador da República, Fernando Collor de Mello, o onipresente senhor das últimas semanas da política nacional, principalmente nos embates da CPI do Cachoeira, com passagem até pelos mais intrincados labirintos da Rio+20.

O terceiro, já falecido, é o ex-senador e ex-governador e senhor da Bahia, por décadas, Antonio Carlos Magalhães. ACM ressurge agora com força incomum em seu terreiro tradicional e no país, reencarnado na figura do todo-poderoso coronel do cacau, Ramiro Bastos, papel representado, até aqui com maestria, pelo ator Antonio Fagundes, na readaptação do folhetim de TV inspirado em um dos mais famosos romances de Jorge Amado.

Em Gabriela 2012, o coronel de Ilhéus ganhou cara e jeito de ACM – em algumas cenas tem nuances também do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva em seus atuais descaminhos. Nos primeiros capítulos o coronel Ramiro Bastos representa, com imponência e histrionismo exemplares, a figura de dono do poder criada pelo notável escritor baiano.

Olhando bem, poderia ser igualmente um personagem de Cem Anos de Solidão, obra prima do realismo fantástico do colombiano Garcia Marquez. O desempenho de Fagundes e a sua caracterização atual de Ramiro Bastos, que mistura ACM e Lula, faz o senhor de Ilhéus transcender no espaço e no tempo, até aterrissar na realidade brasileira deste complicado início de inverno brasileiro.

Na Bahia, antes mesmo da novela estrear, ACM marcava presença outra vez na política local, mesmo nas hostes do atual governo petista que manda no Estado, atualmente, quanto nas lembranças mais românticas da atual oposição na Bahia. ACM se faz presente na figura e nas ações (na propaganda e no enfrentamento das greves da PM e dos professores, por exemplo) do atual governador petista, o “cabeça branca” Jaques Wagner, cujo governo e alianças administrativas e eleitorais mais se assemelham com um antigo arraial junino de carlistas.

Aparece como nunca, também, nos discursos e entrevistas atuais do deputado ACM Neto, candidato do DEM, até aqui disparado nas pesquisas de preferência do eleitorado, para prefeito de Salvador, a terceira capital do País. Em 2008, candidato a prefeito da capital pela primeira vez, Neto optou por deixar de molho a memória do avô em sua propaganda eleitoral, em seus discursos de palanque e aparições na TV. Resultado, não chegou nem ao segundo turno. A prefeitura ficou pela segunda vez com João Henrique, que derrotou o atual senador petista, Walter Pinheiro.

Desta vez, ACM Neto chegou à convenção municipal dos Democratas, que o sagrou esta semana candidato a prefeito – a ambientalista, Célia Nascimento, do PV, é a vice – com o nome “e as melhores recordações do meu avô” na ponta da língua. Emocionado, esgrimiu, o tempo todo, “a bandeira do legado de Antonio Carlos Magalhães, estranhamente ocultada na campanha passada, baiana. ACM Neto explicou, em discurso, ao aceitar o desafio: “Estou mais maduro e mais bem preparado do que há quatro anos”.

O resto é incógnita, a cargo do tempo, senhor da razão. Tanto em relação ao finado ACM e ao destino de seu neto, quanto em relação aos vivos Maluf, Collor e seus atuais aliados. Bom mesmo, por enquanto, é curtir Gabriela, Maria Machadão, o turco Nacib e, evidentemente, Antonio Fagundes no intrigante papel de ACM-Lula. Ou melhor, Ramiro Bastos.

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