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Fingindo honestidade

Dono da Delta diz a jornal que teme 'quebrar' e nega elo com Demóstenes

Fernando Cavendish falou sobre escândalo envolvendo bicheiro preso. Disse que teve encontro 'rápido' com Cachoeira e que nunca viu senador

Do G1, em Brasília

19/04/2012 11h11

O empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, empresa suspeita de envolvimento com o grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira, disse em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", publicada nesta quinta-feira (19), que teme "quebrar" em razão da "intensidade" das denúncias. Ele negou que o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) seja "sócio oculto" da empresa, como aponta relatório do Ministério Público Federal.

"Vou quebrar. Quando a mídia vem com essa intensidade, existe uma reação imediata de órgãos de controle. Agora virei leproso, né? Agora eu só tenho defeitos, eu sou bandido. O cliente [governo], que é um cliente político, abre sindicâncias para mostrar isenção. Suspende pagamentos. Cria-se um clima péssimo na empresa. Os bancos vão suspender a nossa linha de crédito. Aí vem a Receita Federal. Todos precisam mostrar que a empresa tem que ser fiscalizada. Não tenho caixa. Se eu não receber antes de acabar meu dinheiro, eu quebrei", disse Cavendish ao jornal.


Na entrevista, o empresário também falou sobre denúncias de que o senador Demóstenes Torres usou seu mandato para favorecer a Delta, uma das maiores empreiteiras do país. Áudios mostraram conversa entre o senador e o bicheirosobre envio de recursos para uma obra em Anápolis (GO). Demóstenes relata ao contraventor que negociou com o prefeito a contratação do grupo de Cachoeira, o que ocorria, segundo as investigações, por meio da Delta.

Demóstenes afirmou publicamente ser amigo pessoal de Cachoeira, mas negou ter negócios com o bicheiro.

Conforme a "Folha", o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, argumenta que evidências apontam que Demóstenes atuava como "sócio oculto" da Delta. Segundo investigadores, o senador teria articulado contratos em troca de dinheiro.

"Nunca vi o Demóstenes. Ninguém é sócio da Delta. Põe isso na sua cabeça. Já inventaram dezenas de sócios para a Delta. [...] Esquece isso. Não existe. É factoide", disse o empresário.

Cavendish disse que abriu auditoria para investigar a ligação entre o diretor afastado da empresa Cláudio Abreu e Carlinhos Cachoeira. Em diversos áudios, os dois aparecem negociando vantagens para o grupo do contraventor. Há indícios ainda de que a Delta repassou verba para empresas fantasmas e que o dinheiro iria para o grupo do bicheiro.

"Tive um encontro casual no bar de um hotel, o Cláudio estava lá e me apresentou, muito rápido. O Cláudio Abreu nunca informou que dava dinheiro para o grupo de Cachoeira? Nunca. Ele era sócio de terceiros, ia comentar comigo? A gente abriu uma auditoria para investigar essa movimentação", afirmou e completou que o valor de R$ 39 milhões supostamente desviado era "imperceptível" perto do montante que a empresa "rodou" no período.

Propina a políticos
O presidente da Delta Construções também comentou sobre um áudio divulgado em que fala em dar propina a políticos. "Se eu botar R$ 30 milhões nas mãos de um político, eu sou convidado para coisa pra c... Te garanto".

"Nesta conversa, eu debatia com sócios da Sygma, empresa que adquirimos por R$ 30 milhões. Eles não performavam. Eu os chamei para negociar o preço e me gravaram clandestinamente. Eu queria dizer: 'Olha, R$ 30 milhões, se eu fosse fazer projetos políticos, doações de campanha [ganho qualquer negócio]' [...] A expressão foi muito ruim. Ficou horrível, horrível. Agora vou encarar uma CPI da pior forma possível."

Ele negou que já tenha pago propina a políticos e disse que negociar doações de campanha "é uma coisa legitimada".

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, composta por deputados e senadores, para investigar as ligações de Cachoeira com agentes públicos e privados será instalada no Congresso nesta quinta (19).

Maior empreiteira do PAC
Fernando Cavendish rejeitou o rótulo de maior empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal programa de infraestrutura do governo federal.

"Essa é uma sacanagem. Quando o PAC foi proposto anunciaram R$ 250 bilhões de investimentos em quatro anos. Quando fizeram um levantamento aí em um site, houve a indicação de que a Delta estava liderando o PAC. A gente tinha faturado uns R$ 400 milhões em 2009. Mas isso era em investimentos dos ministérios. Virei líder do PAC. Sabe quanto vai custar [as hidrelétricas de] Santo Antônio, Belo Monte, Jirau? Só Santo Antônio corresponde ao faturamento de dez anos da Delta. Como posso, com essa minha conta de retalho, [...] liderar o PAC? Estou liderando p. nenhuma. Mas fica bonito, na hora de bater no PT, dizer que o líder do PAC está cheio de problemas. Esquece. Eu devo estar em décimo no ranking do PAC."

Outros governadores
O empresário negou ainda conhecer o governador Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, onde, segundo áudios gravados, a Delta teria atuado para favorecer o grupo de Cachoeira. Também disse que "nunca" viu o governador Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, onde a Delta tem negócios considerados suspeitos pelos investigadores.

Em relação ao governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, estado no qual a Delta tem diversos contratos, afirmou ser amigo pessoal e afirmou que os contratos são anteriores à gestão de Cabral. Cavendish lembrou o acidente de helicóptero em 2011, no qual morreram a esposa e o filho do empresário e também a namorada do filho de Sérgio Cabral. Os dois participavam de uma festa em Trancoso, no sul da Bahia.

"Eu admiro ele [Cabral] como governante, amigo, pai, filho, irmão. É um puta sujeito. No acidente de helicóptero em quem morreram as pessoas que eu mais amo eu estava com ele."

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