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Os fins justificando os meios

Demóstenes Torres usou cargo para tentar beneficiar Delta, diz jornal

Senador e construtora são investigadas por elo com Carlinhos Cachoeira. Áudios apontam que ele negociou direcionamento de obra para construtora

Do G1, em Brasília

18/04/2012 11h11

Demóstenes Torres usou cargo para tentar beneficiar Delta, diz jornal

Escutas telefônicas obtidas pelo jornal "Foha de S.Paulo" e publicadas na edição desta quarta-feira (18) apontam que o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) utilizou seu mandato para tentar beneficiar a Delta Construções, uma das maiores empreiteiras do país e que recebe a maior fatia de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal programa de infraestrutura do governo federal.

Em uma das gravações - a primeira que relacionaria Demóstenes com a Delta -, de 9 de julho de 2011, Demóstenes fala com o bicheiro Carlinhos Cachoeira sobre envio de recursos para uma obra em Anápolis (GO). Demóstenes relata ao contraventor que negociou com o prefeito a contratação do grupo de Cachoeira, o que ocorria, segundo as investigações, por meio da Delta. Como parlamentar, Demóstenes tem a prerrogativa de direcionar emendas ao Orçamento da União para obras em estados e municípios.

G1 procurou a defesa do senador e assessoria de imprensa da Delta, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Demóstenes e executivos da Delta são suspeitos de envolvimento com o grupo de Carlinhos Cachoeira, que foi preso pela Polícia Federal sob acusação de chefiar uma quadrilha que explorava o jogo ilegal. A denúncia aponta influência do bicheiro em governos estaduais, órgãos federais, entre parlamentares e agentes de segurança pública.

Após denúncias de que utilizou seu mandato em favor de Cachoeira, Demóstenes deixou o DEM e é alvo de processo no Conselho de Ética do Senado, que apura se houve quebra de decoro parlamentar por parte do senador.

A Delta, por sua vez, teve executivos flagrados em escutas discutindo benefícios ao grupo de Cachoeira. A empresa é suspeita de ter repassado verba recebida pelo poder público para empresas fantasmas que beneficiariam o contraventor. O diretor da empresa no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, foi afastado de sua função.

Tanto as relações de Demóstenes quando as da Delta com o bicheiro serão alvo de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que será instalada no Congresso.

Nas escutas divulgadas pela "Folha" nesta quarta, Cachoeira fala com Demóstenes sobre o direcionamento de uma emenda.

Demóstenes: Fala, professor
Cachoeira: Fala, doutor. E aí? Teve com o prefeito?
Demóstenes: Tive... Ele saiu daqui agora... [...] E outra coisa que ele me pediu e aí você que vai avaliar... é se vale a pena ou não... ele quer fazer um parque ecológico lá no lugar onde tem um buraco. Certo? Pediu para eu arrumar o dinheiro para ele. Falei pra ele que precisava então que ele passasse, que ele desse... é... preferência para vocês. Ele falou que topava. Aí você vê se vale a pena ou não.
Cachoeira: Então tá bom. A gente volta a falar.

Depois desse diálogo, outro áudio indica que Cachoeira relatou a conversa a Cláudio Abreu, da Delta. "Demóstenes falou com o prefeito ontem lá", disse o contraventor ao executivo da construtora.

Conforme reportagem da "Folha", o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, argumenta que evidências apontam que Demóstenes atuava como "sócio oculto" da Delta. Segundo investigadores, ele teria articulado contratos em troca de dinheiro. Em relatório, Gurgel diz que Demóstenes "condicionou a obtenção dos recursos à contratação da Delta".

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