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Alianças forçadas

Em queda livre, DEM pode fundir-se ao PSDB

Depois do mensalão do Arruda, o envolvimento de Demóstenes com Carlinhos Cachoeira parece decretar o ocaso da legenda. Líderes do partido ainda dizem que aguardarão a resposta das urnas, mas a união com os tucanos já é cogitada por alguns

Congresso em Foco

11/04/2012 09h09

Em setembro de 2010, o então presidente Lula aproveitava o escândalo de corrupção do Governo do Distrito Federal, que ficou conhecido como “mensalão do DEM”, para pregar a extinção do partido. A declaração foi feita em comício de campanha da então candidata Dilma Rousseff em Joinville (SC). Cerca de sete meses antes, o ex-governador do DF José Roberto Arruda, um dos proeminentes da legenda, era preso pela Polícia Federal em Brasília, e em seguida deposto do comando do GDF. Era um duro golpe no partido. Arruda estava então cotado para ser o candidato a vice na chapa de José Serra, do PSDB, ou mesmo para tornar-se presidenciável. Depois que Arruda desceu pelo ralo, um novo golpe veio com a criação do PSD de Gilberto Kassab, que tomou do partido 16 deputados e dois senadores. Agora, o DEM perde Demóstenes, que liderava o partido no Senado e era cogitado em algumas conversas mesmo como uma futura aposta do partido para a disputa da Presidência. Como um castelo de cartas, o DEM desmorona e parece confirmar o vaticínio de Lula.

 


 

Desde a morte do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (BA) e da aposentadoria do ex-senador Jorge Bornhausen (SC), o DEM míngua a olhos vistos. Só para citar um número, em 2006 o partido tinha a maior bancada no Senado – 18 senadores. Agora, com a saída de Demóstenes, os senadores do DEM são apenas quatro (Clóvis Fecuri, do Maranhão; Jayme Campos, do Mato Grosso; José Agripino, do Rio Grande do Norte, e Maria do Carmo Alves, de Sergipe). O partido que nasceu como dissidência do PDS – o partido que dava sustentação à ditadura militar – para apoiar a eleição de Tancredo Neves resolveu mudar de nome em 2006, quando era presidido pelo deputado Rodrigo Maia (RJ). Tornou-se o DEM. Virou alvo fácil da provocação dos adversários, que passaram a chamar seus integrantes de “demos”. Quando assumiu a presidência do partido, o senador José Agripino, diante dos problemas que já se avolumavam, chegou a desabafar, numa entrevista exclusiva ao Congresso em Foco“O PFL nunca deveria ter mudado de nome”.

 

O caso Demóstenes é o mais duro golpe sofrido pelo DEM. Segundo as investigações da Polícia Federal na Operação Monte Carlo, o senador goiano era um dos beneficiários e facilitadores, nos círculos do poder, do grupo criminoso de Carlinhos Cachoeira. Ele agora é alvo de processo por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senadoinvestigado pelo Supremo Tribunal Federal(STF) e alvo principal de uma iminente Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

 

Apesar de tudo isso, o presidente nacional e atual líder do DEM no Senado, José Agripino, tenta fazer do limão uma limonada. Para ele, o partido sai fortalecido, porque não demorou a expulsar de seus quadros Demóstenes Torres. É uma repetição do que ele já dissera quando o DEM fez o mesmo com José Roberto Arruda. Para Agripino, é uma conduta inversa à do PT. No caso do mensalão, o partido do governo chegou a expulsar o tesoureiro do partido, Delúbio Soares, mas, depois, com a recuperação da popularidade do governo Lula, reconduziu-o aos quadros. Segundo Agripino, a orientação da cúpula é “cortar na carne” os integrantes considerados fisiologistas, com o discurso de que é melhor manter o partido coeso do que acomodar partidários do “toma-lá-dá-cá”.

 

No dia em que anunciou processo de expulsão de Demóstenes, Agripino disse que “o Brasil todo reconheceu” a atuação parlamentar de Demóstenes, até que sua outra face foi descoberta. “As denúncias de que ele [Demóstenes] foi objeto obscureceram completamente o seu passado. Na hora em que nós comunicamos a abertura de um processo de investigação, nós estamos dando a clara oportunidade para que a defesa se manifeste – defesa que em nenhum momento ele apresentou”, disse o líder demista em vídeo postado pela liderança da sigla no Youtube. Agripino está em Portugal tentando convencer o ex-deputado cearense Moroni Torgan a reforçar a linha de frente da legenda nas próximas eleições municipais, em outubro. Segundo a assessoria do DEM, Moroni, que é mórmon, está em missão religiosa naquele país europeu.

 

Padrão ético

 

Nos bastidores, alguns parlamentares dizem acreditar que a saída para o DEM, um partido conservador de centro-direita, é a fusão com o PSDB. Essa tese é defendida abertamente pelo ex-líder do PSDB na Câmara Duarte Nogueira. Segundo ele, essa será uma discussão a ser feita após as eleições municipais deste ano. “A fusão continua em aberto, e essa questão vai voltar a ser discutida no término das eleições municipais, quando cada partido fará um balanço do resultado obtido nas eleições municipais. No caso do Democratas, entendo que é o momento oportuno para a gente voltar a falar sobre a possibilidade de fusão com o PSDB. Pessoalmente, vejo com muito entusiasmo essa possibilidade”.

 

Para Duarte Nogueira, tudo dependerá do resultado que vier a ser obtido nas eleições. “Acredito que o DEM, ao encerrar essas eleições, fará um balanço do que o partido projeta, potencialmente, para as eleições de 2014. Dependo das estratégias do partido, eles vão decidir se caminham sozinhos ou se podem tender a uma fusão”, avalia.

 

Até para não atrapalhar a estratégia para as eleições, os parlamentares do DEM não admitem a hipótese defendida por Duarte Nogueira. “Esse assunto não está em pauta, não vamos discutir nenhuma hipótese de fusão. O partido está muito concentrado agora no esforço das eleições municipais. Queremos projetar o maior número possível de candidatos a prefeito, com possibilidades reais de vitória em cidades importantes”, disse o líder do partido na Câmara, ACM Neto.

 

“O partido saiu maior do que entrou no episódio do senador Demóstenes, porque agiu com rapidez e continuou se diferenciando dos demais partidos. Foi rigoroso, puniu, não passou a mão na cabeça de um parlamentar que, comprovadamente, havia faltado com os padrões éticos que são defendidos pelo Democratas”, defendeu o deputado baiano, reverberando o discurso de José Agripino.

 

Discussão com diretórios

 

Vice-presidente do Conselho de Ética do Senado – que se recusou a assumir a presidência por ter sido do mesmo partido de Demóstenes –, o senador Jayme Campos, embora diga não encampar a ideia da fusão com o PSDB, afirmou que ela tem de ser discutida com os diretórios estaduais e municipais do partido. “É um partido que tem uma trajetória que ninguém pode desconhecer. Infelizmente aconteceram esses fatos, e isso tem sido muito prejudicial. É um assunto que temos que discutir primeiro no diretório nacional, e depois fazer um encaminhamento que seja melhor para o partido. E temos de ouvir as bases, não podemos tomar nenhuma decisão de cima pra baixo”, ponderou.

 

Aposta das oposições para as eleições presidenciais de 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) considera que o DEM ocupa um espaço importante no jogo político nacional, que não deve ser desprezado. “O DEM pode ocupar um espaço ainda de algum relevo no espectro político-partidário, de centro-direita. Um partido de viés liberal, e não tem outro partido no Brasil ocupando esse espaço, no campo da oposição. Para nós, o interessante é o fortalecimento do DEM, por isso estamos fazendo alianças municipais. Onde eles tiverem candidatos viáveis, o PSDB vai com eles”, declarou Aécio.

 

Para Aécio, a discussão sobre uma eventual fusão deve ficar para depois. “Neste momento, eu prefiro que tenhamos duas forças distintas na oposição. Na verdade três, com o PPS, com líderes distintos, para ter espaço no plenário, e com candidaturas que possam se somar. Não é agenda para agora. Vamos ajudar a fortalecer o DEM”.

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