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Análise

Voto contra a divisão do Pará teria vencido mesmo sem contar Belém

Em plebiscito no domingo, paraenses rejeitaram criação de Carajás e Tapajós

G1

13/12/2011 09h09

Voto contra a divisão do Pará teria vencido mesmo sem contar Belém

Mesmo sem a capital Belém, maior colégio eleitoral do Pará, o voto "não" (à divisão do estado) teria vencido no plebiscito deste domingo, quando os eleitores paraenses foram às urnas votar a proposta de desmembramento do Pará em três, com a criação dos estados de Tapajós e Carajás.

No caso da criação do Tapajós, o "não" recebeu, em todo o Pará, 2.344.654 votos (66,08% dos válidos), e o "sim", 1.203.574 (33,92%). Sem Belém, no entanto, o "não" teria obtido 58% dos votos válidos. Na capital, 748.340 votaram contra a criação de Tapajós, e 48.766 votaram a favor.

Em relação à criação do estado de Carajás, o não venceu com 66,6% dos votos válidos (2.363.561), contra 33,40% do sim (1.185.546). Sem a capital, o não teria vencido com 58,4% dos votos válidos. Em Belém, o não obteve 755.559 votos.

Os eleitores responderam a duas perguntas "Você é a favor da divisão do estado do Pará para a criação do estado de Carajás?" e "Você é a favor da divisão do estado do Pará para a criação do estado do Tapajós?". O número 77 correspondeu à resposta "sim" para qualquer uma das perguntas. E o número 55 foi usado para o "não".

Com a decisão das urnas, o trâmite para a divisão do estado se encerrou junto com o plebiscito. Dessa forma, a Assembleia Legislativa paraense e o Congresso Nacional não precisarão analisar a divisão do território e criação dos novos estados.

'Forma eficiente'

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, comemorou a rapidez na divulgação do resultado parcial do plebiscito cerca de duas horas após o encerramento da votação. 

"Penso que não apenas a cidadania está madura do ponto de vista cívico, mas a tecnologia eleitoral brasileira está muito avançada, conseguimos apurar o resultado matematicamente consolidado em duas horas depois do fechamento das urnas. Hoje foi um teste importante e verificou-se que o povo pode ser consultado rapidamente de forma eficiente e econômica", disse

Votação

A votação começou às 8h, em mais de 14 mil seções eleitorais do estado do Pará.

Em 277 locais considerados de difícil acesso, a votação foi feita em urnas ligadas a baterias, que transmitiram os votos via satélite.

Durante todo o dia, mais de três mil militares do Exército reforçaram a segurança em 16 cidades do Pará, incluindo os municípios de Santarém e Marabá, que seriam as capitais dos novos estados

Os outros municípios que contaram com segurança foi Altamira, Brasil Novo, Monte Alegre, Alenquer, Óbidos, Juriti, Oriximiná, Santana do Araguaia, São Félix do Xingu, Redenção, Tucumã, Orilândia do Norte, Bacajá e Anapu.

Ausência

Os eleitores que não compareceram para votar terão 60 dias para justificar a ausência nas zonas eleitorais em que estiveram inscritos. Mesmo se tratando de um plebiscito, as exigências são as mesmas para eleições regulares. Quem deixou de votar e não apresentou a justificativa será multado e pode ter o título de eleitor cancelado.

Pesquisa

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha e divulgada na noite de sexta-feira (9) já apontava que a maioria dos eleitores do Pará rejeitaria a divisão do estado. O levantamento, terceiro e último feito pelo instituto antes do plebiscito, apontou que 65% dos entrevistados eram contrários ao desmembramento do Pará para a criação do estado de Carajás, e 64%, contrários à divisão para a criação de Tapajós.

A pesquisa foi feita de terça (6) a quinta (8), com 1.213 eleitores em 53 cidades paraenses e encomendada pelas TVs Liberal e Tapajós, afiliadas da TV Globo no Pará, e pelo jornal "Folha de S.Paulo". A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

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