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Motivação política seria a causa da execução de Beto Campanha

16/11/2011 00h12

Quem matou Beto Campanha? Essa pergunta continua sem respostas há cinco anos. Na época do assassinato do vice-prefeito do Pilar, a cidade tinha como chefe do executivo local o médico Marçal Prado. A ação criminosa que colocou fim a vida de Beto Campanha teve a participação de três autores intelectuais e seis pistoleiros, segundo o inquérito do delegado Mário Jorge Barros, ainda em 2007, ano do crime.

A reviravolta no caso Beto Campanha teve início há pouco mais de três meses, quando o Ministério Público Estadual, por meio do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) solicitou a Polícia Civil à reabertura do caso. Uma das motivações da solicitação do MP é o fato do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) ter derrubado todas as decisões da 17ª Vara Criminal da Capital e uma investigação para apurar se houve falhas ou crimes na condução do processo, por parte de policiais e delegados.

Na terça-feira (8), o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Marcílio Barenco, publicou uma portaria no Diário Oficial do Estado (DOE), nomeando uma comissão de três delegados, Leonardo Assunção (presidente da Comissão), Gilson Rego Sousa e Isaías Rodrigues para novas investigações da morte de Gilberto Pereira Alves, o Beto Campanha. A decisão do delegado-geral tem caráter especial e foi solicitado de imediato ao procurador-geral de Justiça, Eduardo Tavares Mendes, a indicação de um promotor para acompanhar a comissão de delegados que vão apurar novos indícios criminais.

As primeiras investigações de 2007 apontaram para 11 indiciamentos, entre eles, a de três policiais, Antônio de França (Cigano), Amabílio Loureiro e José Alfredo Pontes (Alfredinho), que foram executados misteriosamente, todos com características de execução, queima de arquivo. Os três policiais mortos são considerados os homens que dispararam 12 tiros na caminhonete de Beto Campanha no dia 19 de janeiro de 2007, quando o vice-prefeito do Pilar estava passando com seu automóvel perto do supermercado Makro, localizado na parte alta de Maceió.

royalties - Dos 102 municípios de Alagoas, Pilar possui a sétima maior receita do Estado, com uma arrecadação mensal de R$ 2 milhões em transferências federais (FPM), estaduais (ICMS) e os “royalties” da Petrobras, que ocupa na cidade uma área de atuação. Na época do crime de Beto Campanha, a empresa estatal petrolífera pagava mensalmente a prefeitura do Pilar R$ 330 mil mensais de “royalties”.

A quantidade polpuda de capital que o chefe do executivo local administra gerou a cobiça de muitos políticos que já comandaram a cidade e de forasteiros, que sabendo do montante arrecadado pelo município poderia “investir” seus recursos e sua base política para se eleger prefeito da cidade.

A morte de Beto Campanha aconteceu um ano antes das eleições para prefeitura de 2008, que elegeria 102 prefeitos em Alagoas. Marçal Prado era candidato natural a reeleição e tinha como fiel escudeiro seu vice-prefeito Beto Campanha, que repetiria a dobradinha vitoriosa. A barbárie ocorrida em janeiro daquele ano colocou um ponto final nas pretensões políticas de Campanha.
Em fevereiro de 2007, o então prefeito de Pilar, Marçal Prado, revelou com exclusividade ao jornal Extra que a motivação do crime foi política. “Não tenho nenhuma dúvida, o crime foi político”, disse Prado na entrevista.

Marçal Prado pode ter sido vítima de armação

Após a morte de Beto Campanha, uma verdadeira guerra fria foi vivenciada no município do Pilar, com muitos suspeitos do assassinato do vice-prefeito, mas as investigações não eram conclusivas. No desenrolar dos fatos, o então prefeito Marçal Prado foi cassado pela Câmara por oito votos a um, por improbidade administrativa e outras acusações.

No dia 10 de setembro de 2007 Marçal Prado estava sem o mandato legitimado pela população do Pilar e com a esposa, Telma Prado, entre os indiciados como mandante da morte de Beto Campanha. Vale ressaltar que no dia da sua cassação o plenário estava vazio e a Câmara contava apenas com os integrantes do legislativo local.

Marçal Prado foi afastado da prefeitura do Pilar no dia 14 de junho e desde então ficou sem mandato. Com a cassação, ficou estabelecido o prazo de 30 dias, no caso 20 de outubro de 2007, para a realização de eleição indireta, que ratificou o então prefeito interino, Oziel Barros, para comandar o Executivo de Pilar.

Oziel Barros foi um dos oito vereadores que votou pela saída de Marçal da prefeitura. Em 2008, o vereador foi eleito prefeito de Pilar, tendo como vice Renato Rezende, pré candidato a prefeito do Pilar na eleição de 2012 com apoio do grupo político comandado por Oziel Barros.
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