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Comissão pede apoio ao Gecoc para desvendar assassinato de vereador

14/09/2011 00h12

O clima de tensão no município de Anadia após o assassinato do vereador Luís Ferreira (PPS) e uma lista de pessoas marcadas para morrer levou uma comissão formada pelos vereadores de oposição, promotor da Comarca e advogado da Câmara a procurarem na terça-feira, 5, o Ministério Público Estadual para cobrar celeridade na apuração do crime. Na reunião com o coordenador do Gecoc ( Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado) promotor Luiz Vasconcelos, os vereadores pediram que o Grupo entrasse no caso, além de segurança para os vereadores de oposição que temem ser assassinados.

Estiveram presentes ao encontro os vereadores Mariano Denisson de Melo (PDT), José Adauto Almeida Rocha (PSC)- presidente da Câmara; Neto (PPS); Fernando Pedrosa (PMDB); Amós Rocha (PTB); o presidente do PPS local, José Dimas Almeida; o advogado da Câmara de Anadia, Klenaldo Oliveira; o vice-prefeito José Augusto Rocha Souza (PPS); o promotor da Comarca, Maurício Wanderlei e o presidente regio-nal do PPS, Régis Cavalcante. Arredios e com medo, falaram pouco sobre o caso, mas garantiram não ter dúvida que foi crime de mando e se não forem tomadas providências cabíveis outros inocentes poderão morrer até o próximo pleito eleitoral.

Segundo José Augusto Rocha, vice-prefeito de Anadia e primo da vítima, o clima no município é de medo e os comentários são de que outros parlamentares estão na mira dos pistoleiros. Com a execução do primo ele acredita que o episódio foi premeditado e que esta lista existe. "Estamos aqui para cola-borar e cobrar da Justiça esclarecimento do crime. O que não pode é continuar esse clima tenso, onde todo mundo fica com medo de ser a próxima vítima. É preciso dar um basta em tanta violência", desabafou o vice-prefeito.

Sem apontar culpados pelo bárbaro assassinato, Rocha garantiu que "foi a política de Anadia quem matou Luís". Para ele, pela história de vida, por não ter inimigos declarados e pelo homem digno que foi o primo não existe outra linha de investigação senão a política. "Que a polícia seja rápida e que o culpado pague pelo que deve", sentenciou o vice-prefeito.

Inconformados com a morte do parlamentar, o grupo de vereadores informou que Luís Ferreira fazia parte da equipe de apoio a prefeita Sânia Tereza, mas há cerca de dois meses passou a ser oposição. O rompimento teria deixado a prefeita furiosa e que não aceitava a saída de Luís de sua base de apoio. Na verdade, ele se juntou aos demais vereadores de oposição para uma possível votação pela cassação de Sânia Tereza. "O Luís percebeu as irregularidades cometidas pela atual gestão e não aceitou compactuar com o desmando", disse um vereador.

O fato que chama a atenção e deixa a população apreensiva é que na quinta-feira, dia 1º de setembro, seria votada na Câmara de Vereadores a alte-ração de um artigo da Lei Orgânica e se fosse aprovada, Sânia Tereza poderia ter o mandato cassado. No momento da reunião faltou energia e a votação foi transferida para outro dia. O que chama a atenção é que o voto de Luís Ferreira, agora como opositor, garantia os dois terços da Casa e assim o requerimento seria aprovado.

Diferente do que Sânia falou a imprensa, o presidente da Câmara, José Adaulto Almeida Rocha, disse que existem documentos que comprovam que o vereador não fazia mais parte da situação. Alias, que a vítima seria candidato a prefeito com o apoio do PPS e da Câmara Municipal. "Na Câmara tem várias denúncias contra a administração de Sânia Tereza. Como o Luís não concordava com as irregularidades, passou a ser oposição e isso deixou a prefeita enfurecida."
De acordo com o presidente regional do PPS em Alagoas, Regis Cavalcante, o crime foi de mando, de pistolagem e não pode ficar impune. Para ele, este brutal assassinato foi um tapa na cara da sociedade alagoana por se tratar de uma velha prática adotada na política do Estado. "É contra esse tipo de coisa que o PPS vem combatendo. Foi um crime covarde que comentaram contra um cidadão honesto, pacato e trabalhador que militava no partido há mais de 15 anos. Parta de onde partir que a justiça esclareça e coloque na cadeia o assassino", exigiu Cavalcante.

SÉTIMO DIA - Luís Ferreira foi morto em uma emboscada próximo ao município de Anadia após dar entrevista em uma rádio de Maribondo onde afirmou que seria candidato a prefeito na próxima eleição. No velório e no sepultamento sua família proibiu a presença de políticos de Anadia. Mesmo com essa ausência, o cemitério Parque das Flores ficou tomado por parentes, eleitores e amigos do médico, professor e vereador Luís Ferreira. A missa de sétimo dia pela alma de Luís acontece na sexta-feira, 9, na Catedral Metropolitana de Maceió, às 18 horas.

Delegada diz que
ainda é cedo para
apontar culpado

Em Alagoas já corre rumores que existe uma nova modalidade de crime. Trata-se do crime do inimigo. Hoje, não se mata o inimigo, mas o inimigo do inimigo para que ele leve a culpa. Esta poderia ser uma das hipóteses para o brutal assassinato do vereador por Anadia Luís Ferreira, mas ele não tinha inimigo. Com o assassinato, são várias as especulações sobre que rumo o caso vai tomar e quais as linhas de investigações. Muitos são os interesses externos e a pergunta é: A quem interessa a morte do vereador? Nenhuma hipótese é descartada e a polícia trabalha para elucidar o caso. Até que chegue ao criminoso, todos são suspeitos.

É certo que Luís Ferreira estava preste a votar por uma mudança no regimento da Câmara para em seguida pedir o impeachment da prefeita Sânia Tereza (PT) e o voto dele seria decisivo. Outro fato é: A quem interessaria prejudicar a prefeita usando a morte do vereador? O suplente que vai assumir é aliado da prefeita, o que mudaria o teor da votação. O deputado Antonio Albuquerque e seus aliados são nomes fortes na região e Luís Ferreira declarou ser candidato a prefeito pelo PPS na próxima eleição e não era ligado a nenhum dos dois grupos políticos comandados por Sânia e AA.

Mas a principal linha de investigação da polícia é o crime de mando com objetivos políticos. Três delegados foram indicados para realizar a investigação: Kelman Vieira e Maurício Henrique Duarte, diretores das áreas de Polícia Judiciária I e II e a delegada da Divisão Especial de Investigações e Capturas Ana Luiza Nogueira.

O delegado Kelman Vieira disse que para não haver de-sencontro de informações, a comissão decidiu que apenas a presidente do inquérito (Ana Luiza) falaria sobre o caso. Ele adiantou que a investigação corre em segredo de justiça, mas que já foram ouvidas várias pessoas e que outras ainda serão convidadas a prestar depoimento. A informação foi confirmada pela delegada Ana Luiza. Segundo ela, ainda está em começo de investigação e que é cedo para apontar o culpado.

Embora tenha ouvido várias pessoas, a delegada afirmou que se adiantar qualquer informação poderá atrapalhar as investigações. Mas garantiu que todas as medidas serão tomadas para elucidar o crime. "Fizemos algumas diligências, visitas técnicas e outras medidas para que o assassinato seja solucionado. No momento não podemos passar qualquer informação para não prejudicar nosso trabalho", afirmou a delegada Ana Luiza Nogueira.
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