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Esquema vendeu transporte escolar para os aliados

25/08/2011 00h12

Nem mesmo os estudantes das escolas da região foram poupados pela corrupção instaurada em Limoeiro. A prefeitura vendeu para laranjas de vereadores sua frota de ônibus e caçambas que faziam o transporte escolar e agora está alugando os mesmos veículos. Para o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), está havendo uma ilícita troca de favores entre o prefeito James Marlan e vereadores.

As condições impróprias para uso dos veículos foram a justificativa para a venda da frota de transporte escolar. O problema é que apesar disso cada veículo está sendo alugado para a prefeitura por cerca de R$ 4 mil ao mês. A negociação teria como objetivo silenciar três vereadores do município que até então faziam oposição à gestão de James Marlan.

De acordo com denúncia do MCCE ao Ministério Público de Alagoas (MP/AL) três veículos foram comprados por laranjas desses vereadores. O ônibus de placa MYL 3016, que faz o transporte de crianças do povoado Pé Leve, foi comprado por um laranja do vereador Valmir Filho, presidente da Câmara Municipal. Roberto Francisco de Lima, conhecido como Beto, é vice-presidente da Câmara e teria comprado o ônibus de placa MXT 1605, responsável por conduzir os estudantes do povoado Genipapo. Um ca-minhão, de placa JLB 4854, também utilizado pela secretaria de Educação, teria sido comprado pelo vereador Cícero Gomes da Silva, o Tindô. A propriedade dos veículos é tão clara que os próprios vereadores assumem o volante quando algum mo-torista falta ao serviço.

O MCCE garante que a prefeitura de Limoeiro de Anadia teria recebido do go-verno federal cerca de R$ 1 milhão para ser utilizado com o transporte escolar. "As crianças daquele município ficarão sem transporte escolar, pois o município preferiu romper o convênio do que prestar contas do que já tinha recebido", assegura Antônio Fernando da Silva, coordenador do MCCE em Alagoas.
OUTROS CARROS - Além dos carros usados no transporte escolar, cerca de 50 ou-tros veículos estariam sendo locados pela prefeitura, que não justifica nem presta conta dos gastos. Valmir Filho seria proprietário de um veículo Uno, alugado pela prefeitura em nome de um laranja co-nhecido como Betonho. Seu primo, Erisvaldo, é proprie-tário de um Gol que também está à disposição do município. Outro Gol alugado seria do vereador Beto, mas está em nome de seu filho, Leonardo, e é utilizado no programa Saúde da Família. O vereador Tindô também colocou o seu filho, Bruno, como proprietário de um Corsa Sedan a serviço da prefeitura.

TROCA DE FAVORES - O MCCE também acrescenta outro fator para que os verea-dores deixassem de fazer opo-sição. Após uma reunião a portas fechadas com Marlan, os membros do parlamento mirim do município passaram a ter afilhados políticos e parentes empregados em cargos comissionados da prefeitura.

Pedro Ferreira e Daniel Ferreira, irmão de Valmir Filho, são, respectivamente, procurador-geral do município e secretário adjunto de administração. Já o vereador Tindô conseguiu emplcar sua esposa em um cargo na Casa de Saúde Nossa Senhora das Dores. O acordo funcionaria como uma ajuda mútua: vereadores deixariam de fiscalizar as ações do gestor público para ter ganhos financeiros através de laranjas inseridos na folha de pagamento da prefeitura.

Prefeitura não repassa pagamento de empréstimos consignados

Servidores estão com nome sujo na praça, mesmo tendo salário descontado todo mês

Não bastasse o nepotismo praticado pelo seu gestor, a Prefeitura de Limoeiro de Anadia também não está repassando aos bancos o pagamento de empréstimos consignados de seus servidores. Pelo menos dez funcionários do município estão com o nome sujo na praça mesmo tendo parte do salário descontada todo mês.

A servidora Ana Paula Vitor da Silva teve seus dados incluídos no banco de devedores do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e do Serasa porque a Caixa Econômica Federal não estaria recebendo os pagamentos referentes às parcelas de seu empréstimo consignado. O curioso é que a assistente administrativa da prefeitura tem R$ 87,39 retidos na folha mensalmente. A única explicação para a inclusão de seu nome com devedora é a falta de repasse por parte da prefeitura, que não explica para o onde o dinheiro está sendo enviado.

De acordo com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), cerca de dez funcionários procuraram a organização para denunciar que estão em situação semelhante a de Ana Paula, mas temem receber represálias na administração municipal. "Um grupo de servidores nos procurou para mostrar esses documentos, mas eles têm medo de sofrer algum problema posterior. De acordo com as informações que nos repassaram, são dezenas de servidores que estão com o nome sujo na praça devido a falta de repasse dos empréstimos consignados", explica Adriano Argolo.

OUTRO LADO - O jornal Extra tentou manter contato com o prefeito James Marlan para que as denúncias protocoladas junto ao MP/AL fossem esclarecidas. Foram feitas várias liga-ções para os telefones celular e residencial do prefeito, mas em algumas oportunidades as chamadas não foram atendidas e em outras, as ligações não eram completadas. Em conversa por telefone com um atendente da prefeitura, foi indicado um número de telefone do assessor conhecido por Maciel, mas até o fechamento da edição as ligações também não foram atendidas. (V. A.)
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