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Lagoas marginais do Alto São Francisco se recuperam da seca

Assessoria de Comunicação CBHSF

07/04/2020 10h10

Enchentes são muito importantes para o meio ambiente e para a fauna do rio
AssessoriaEnchentes são muito importantes para o meio ambiente e para a fauna do rio

Após sete anos de seca, as lagoas marginais do Alto São Francisco, na região dos municípios mineiros de Manga e Matias Cardoso, apresentaram cinco picos de cheia, no último período chuvoso. Cinco das seis lagoas que são monitoradas pelo projeto “Integridade Ecológica de Lagoas Marginais do rio São Francisco das Minas Gerais Integrada com a Operação Otimizada da Usina Hidrelétrica de Três Marias” receberam águas do São Francisco e se encheram, completando integralmente seus volumes. A última vez que aconteceu uma cheia como esta foi em 2012. O projeto é uma parceria entre a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), a Agência Peixe Vivo (APV) e Grupo Carta Morrinhos.

Enchentes desse porte são muito importantes para o meio ambiente e para a fauna do rio. O responsável pelo monitoramento das lagoas marginais pelo projeto, Francisco de Assis Pereira (Grupo Carta Morrinhos), explica o que acontece nessas cheias: “O rio joga as águas para as lagoas marginais, milhares de peixes tem oportunidade de sair do rio para botar seus ovos nas águas das lagoas, onde a desova e os alevinos resultantes, estão mais protegidos de predadores e podem crescer com mais segurança”.

“Este ano observamos também a dita ‘cheia reversa’, uma dinâmica hidrológica que ocorre entre as lagoas quando elas recebem as águas de outro curso d’água, afluente do rio São Francisco, no caso das lagoas monitoradas, as águas são do Rio Itacarambi”, acrescentou.

Francisco de Assis esclareceu ainda que há muitos anos as lagoas vinham sofrendo com a pouca quantidade de água, e que agora é uma boa oportunidade para a recuperação. “Desde 2012, o Rio São Francisco não recebia uma enchente de tão grandes proporções. Porém, no fim do mês de fevereiro e na primeira semana de março, a espera acabou e o rio encheu de tal forma que derramou água em todas as várzeas da região. O aumento da defluência da UHE Três Marias, via abertura de seu vertedouro, ocorridano mesmo período, contribuiu muito para isso. Esse é exatamente um dos itens a serem estudados, pelo projeto”, disse.


Confira o gráfico das cheias



O projeto


O membro do CBHSF e Engenheiro de Planejamento Energético da Cemig, Renato Júnio Constâncio, esclarece que o projeto surgiu após representantes do Movimento Independente “Carta de Morrinhos” procurar a Companhia Energética, em setembro de 2015 e provocar um “debate” de que, após a construção e operação da UHE de Três Marias, nunca mais as lagoas marginais teriam cumprido, na íntegra, sua função ecossistêmica: a reprodução dos peixes. 

“Na discussão, a área de hidrologia da Cemig mostrou, por meio de análise da série histórica de vazões, que a dinâmica é na verdade muito variada: algumas vezes as lagoas ‘encheram’ sem a contribuição da hidrelétrica e que, outras vezes, a UHE de Três Marias contribuiu e que em muitas outras vezes, poderia sim, ter contribuído para a cheia das lagoas. Foi a partir daí que, a Cemig entendeu que poderia elaborar um grande projeto da bacia como um todo e envolvendo vários atores/entes, construindo uma governança participativa, envolvendo o CBHSF”.

Renato esclarece que o projeto foi dividido em três subprojetos: o primeiro – “Estudos Hidrológicos e Hidrodinâmicos em subsidio à operação da UHE Três Marias” – será financiado pelo CBHSF, através dos recursos financeiros oriundos da cobrança pelo uso da água. Os outros dois -“Integridade Ecológica” e“Articulação e Mobilização Social no território das lagoas”, serão financiados pela P&D, Cemig e ANEEL.

“O Comitê vai financiar os estudos e modelagens hidrológicaspara o trecho do rio São Francisco entre a UHE Três Marias até a divisa dos estados de Minas Gerais e Bahia. O projeto foi licitado, mas encontra-se judicializadopor um dos proponentes concorrentes ao desenvolvimento dos estudos, e estamos aguardando a posição da justiça, para retomar a contratação. No entanto, a parte que cabe à Cemig, via P&D, já está em execução e se inicia a observação e coleta dos dados iniciais”.

Para Renato, o projeto elaborado em parceria com o CBHSF é promissor no que diz respeito à reprodução dos peixes nativos da bacia do Rio São Francisco. “Esse projeto é de extrema importância para o trecho mineiro do São Francisco, pois trará as informações hidrológicas necessárias para construção de um modelo operativo para a UHE Três Marias, de forma a complementar o enchimento dessas lagoas marginais de maneira mais recorrente, na medida da necessidade, possibilitando a reprodução dos peixes.A medida dessa necessidade é o objetivo final do projeto P&D CEMIG ANEEL Integridade Ecológica, que norteia grande parte dessas iniciativas que apoiamos”, comenta.

A área de alcance do projeto se estende pelo trecho lindeiro mineiro do rio São Francisco, partindo de Três Marias indo até o rio Carinhanha, divisa de Minas Gerais e Bahia, mas se concentra na região de Matias Cardoso e Manga, onde se situam algumas grandes lagoas marginais, entre elas: Comprida, Cajueiro, Lavagem, Angical Picada.

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