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EM CRISE

Brasil e Argentina estão entre os países que devem mais dinheiro à ONU

AGÊNCIA LUSA

13/10/2019 19h07

Chandramouli Ramanathan fala sobre crise financeira na Organização
AssessoriaChandramouli Ramanathan fala sobre crise financeira na Organização

Brasil, Argentina, Venezuela e México estão entre os países que devem mais dinheiro à Organização das Nações Unidas (ONU), numa lista que inclui ainda EUA, Irão e Israel.

Segundo a ONU, que atravessa a pior crise de liquidez dos últimos dez anos, sete países são responsáveis por 97% do montante de contribuições em atraso à organização, quatro dos quais latino-americanos.

“Existem 65 países que ainda não pagaram (...)- Sete países representam 97% do montante em questão e os restantes, juntos, cerca de 2,5%. Os sete países são EUA, Brasil, Argentina, México, Irão, Israel e Venezuela”, disse hoje o subsecretário-geral de Finanças da ONU, Chandramouli Ramanathan.

Este responsável das finanças da ONU explicou que o orçamento para o ano em curso é de 2.850 milhões de dólares (cerca de 2.582 milhões de euros) e que foram recolhidos cerca de 1.990 milhões (cerca de 1.803 milhões de euros), mas além da “lacuna” deste exercício até ao final do ano, existe um total de “pendente acumulado” no valor de 1.385 milhões de dólares (cerca de 1.255 milhões de euros).

Esta semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a organização está a tomar medidas excepcionais para lidar com a crise financeira que está a enfrentar, o que prejudicou as recentes reuniões de líderes internacionais na Assembleia-Geral das Nações Unidas que decorreu, no final de setembro, em Nova Iorque.

Essas medidas incluem o não preenchimento de vagas, a limitação das viagens ao estritamente essencial, o cancelamento ou adiamento de reuniões, ou a redução de apoio para a realização de eventos.

Os problemas financeiros da ONU decorrem do facto de muitos países não pagarem as suas contribuições, pontualmente ou integralmente, e, em 07 de outubro, mais de 60 ainda não o haviam concretizado, como apontou Chandramouli Ramanathan.

No caso dos EUA, o maior contribuidor da ONU, que tem o compromisso de cobrir 22% do orçamento das Nações Unidas, Ramanathan explicou que o país “deve 674 milhões deste ano (cerca de 610 milhões de euros) e 381 milhões (345 milhões de euros) de anos anteriores”.

Geralmente, os EUA pagam cerca de 500 milhões de dólares (452 milhões de euros) no final do ano, acrescentou o diplomata.

O subsecretário-geral de Finanças da ONU alertou que a cada ano, entre os meses de agosto e outubro, a organização incorre numa situação de défice orçamental, mas este ano a situação chegou “mais cedo, dura mais e torna-se mais profunda”.

Hoje, António Guterres ordenou medidas que vão “afetar as condições de trabalho e as operações” da organização, devido às dificuldades financeiras que está a enfrentar, e que entram em vigor na segunda-feira.

Entre as medidas decididas estão o cancelamento de reuniões, a paragem das escadas rolantes, limitações em viagens oficiais, divulgação de documentos adiada ou ar condicionado e aquecimento reduzidos.

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