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A juiz, padre diz que sexo com coroinha foi sua primeira vez

11/08/2011 00h12

O monsenhor Luiz Marques Barbosa, acusado de abusar sexualmente de meninos que serviam como coroinhas na sua paróquia em Arapiraca (a 125 quilômetros de Maceió), em Alagoas, disse nesta terça durante seu julgamento que o vídeo no qual aparece fazendo sexo com um dos garotos foi a primeira relação sexual que teve na vida. Além disso, afirmou que só mantinha livros de sexo em casa porque era um estudioso do assunto, com o único objetivo de aconselhar melhor seus fiéis.

O monsenhor, junto com os padres Raimundo Gomes e Edílson Duarte, é acusado de abuso e exploração sexual de menores. O julgamento foi retomado nesta terça-feira, às 9h20, no Juizado da Infância de Arapiraca. Eles são acusados de abusar sexualmente de Cícero Flávio Vieira Barbosa, Fabiano Ferreira da Silva e Anderson Farias da Silva durante vários anos, enquanto os rapazes eram coroinhas em suas paróquias.

Neste terceiro dia do julgamento, o primeiro a ser ouvido foi Daniel Fernandes, que foi advogado do monsenhor Luiz Marques no caso. Ele, convocado pela defesa, não pode comparecer a audiência anterior realizada no último dia 22.

Daniel intermediou um acordo financeiro entre o padre e os três ex-coroinhas. Segundo documentos guardados pelo advogado, o padre pagou R$ 32.250,00 aos rapazes para que o vídeo onde ele aparece fazendo sexo com Fabiano nunca viesse a público. O documento constitui prova da extorsão que o religioso sofria.

Esta tese é contestada pela Defensoria Pública, que atua como assistente do Ministério Público na acusação. Segundo a Defensoria, os rapazes produziram o vídeo apenas para fazer com que monsenhor Luiz parasse com as investidas sexuais contra eles, ou o vídeo viria a público. No entanto, como os rapazes passavam por dificuldades financeiras, aceitaram o dinheiro oferecido pelo religioso para que o caso fosse abafado. A denúncia chegou a ser investigada, mas o inquérito foi arquivado quando foi comprovado que não houve crime de extorsão.

OS DEPOIMENTOS - Raimundo Gomes foi interrogado durante uma hora e 45 minutos sobre os supostos abusos sexuais que teria cometido contra o ex-coroinha Anderson Farias da Silva quando o rapaz tinha 12 anos de idade. Após ser ouvido, ele saiu do Juizado da Infância de Arapiraca acompanhado por duas de suas paroquianas.

O advogado de Raimundo Gomes e do também monsenhor Luiz Marques, Edson Maia, considerou os depoimentos dos clientes positivos e que tudo está indo conforme o planejado. Luiz Marques depôs por quase três horas.

Resta agora o padre Edílson Duarte, que já está sendo interrogado pelo juiz João Azevedo Lessa. Padre Edílson enfrenta uma situação mais delicada, já que confessou os abusos durante a CPI da Pedofilia, realizada em Arapiraca em abril de 2010, mas agora alega inocência.

Seu advogado, Thiago Mota, disse que o padre só confessou durante a CPI porque foi coagido e que aquelas declarações não têm impacto formal no julgamento. "As informações colhidas durante o inquérito policial e a CPI apenas servem para embasar a denúncia, a única declaração que tem valor formal é esta dada aqui, em juízo".
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