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BAIRRO AFUNDANDO

CSA pode receber indenização milionária da Braskem

Clube aguarda laudo oficial sobre causas do afundamento no Pinheiro e que pode afetar seu Centro de Treinamento

Bruno Fernandes

13/04/2019 07h07 - Atualizado em 13/04/2019 15h03

Centro de Treinamento do CSA, no bairro do Mutange
Foto: Afrânio BastosCentro de Treinamento do CSA, no bairro do Mutange

O Centro Sportivo Alagoano pode receber uma indenização milionária da Braskem devido a possibilidade de estar sendo afetado pelas atividades de mineração da multinacional, que explora minas de sal-gema na capital alagoana na região dos bairros do Pinheiro, Bebedouro e Mutange. Neste último é onde está localizado o Centro de Treinamento do clube.

“Se o CT do CSA está na área afetada e mostrada no decreto de calamidade, ele deve sim ter direito a essa indenização caso seja comprovado que a empresa de fato está relacionada ao afundamento da região”, afirma o promotor de Justiça José Malta Marques, que faz parte da força tarefa que investiga o Caso Pinheiro.

O relatório final apontando as causas do afundamento no bairro está sendo elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil, e deve ser divulgado no dia 30 de abril.

A indenização pode sair do bloqueio bilionário que o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE-AL) e a Defensoria Pública Estadual pediram à Justiça de Alagoas no dia 2 deste mês. O valor de R$ 6,7 bilhões, segundo o pedido, será utilizado para indenizar os moradores e empresários da região onde foi decretado estado de calamidade pública pela Prefeitura de Maceió no final do mês de março. Porém, o juiz Pedro Ivens de França Simões, da 2ª Vara Cível da Capital, determinou o bloqueio de apenas R$ 100 milhões. A decisão foi mantida pelo desembargador Alcides Gusmão da Silva, do Tribunal de Justiça (TJ-AL).

A empresa é apontada por especialistas como uma das possíveis responsáveis pelo afundamento do bairro do Pinheiro com reflexos sobre o Bebedouro e Mutange.

Centro de Treinamento está localizado em área de calamidade, segundo decreto

Além da área ser demarcada como área de calamidade, como decretado pela Prefeitura de Maceió, um fato que chama atenção é que um dos poços de extração desativado funcionava dentro do Centro de Treinamento, localizado na principal via do Mutange, onde já pisaram ídolos como o cantor Djavan, que já jogou pelo clube, e o técnico do Palmeiras, o Felipão, que encerrou sua carreira de jogador no Azulão do Mutange.

Embora não tenha sido notificado oficialmente pelas Defesa Civil Estadual e Municipal, e nem apresente rachaduras, o local está dentro da zona de risco e a incerteza e espera por um laudo conclusivo por enquanto deixa a diretoria do CSA de mãos atadas.

Em recentes entrevistas coletivas, o empresário e presidente do clube, Rafael Tenório, afirmou que a construção de uma nova casa para o Centro Sportivo Alagoano só deve acontecer caso permaneça durante três anos seguidos na Série A do Campeonato Brasileiro, à qual conquistou acesso no ano passado e estreia no dia 28 deste mês ano contra o Ceará, em Fortaleza.

“Por enquanto não temos um plano B, estamos apenas esperando o laudo oficial sair para que possamos sentar e decidir o que fazer, caso realmente seja confirmada a possibilidade de termos que sair do bairro”, explicou Rafael Tenório.

Vale lembrar que MP e Defensoria solicitaram o bloqueio com base em várias evidências, dentre as quais estudos realizados pelo professor e engenheiro civil mestre em geotécnica Abel Galindo Marques e em uma entrevista dada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), no dia 25 de janeiro sobre rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, divulgada com exclusividade pelo EXTRA.

“Já conversamos com o secretário nacional de Defesa Civil, o coronel Lucas Alves, que está em Maceió, tratando de um assunto do afundamento de um bairro por questão de mineração também”, Jair Bolsonaro em entrevista à Rádio Brumadinho em 25 de janeiro.


O estudo elaborado pelo professor Abel Galindo revela que uma das causas para o bairro estar afundando aproximadamente 36mm por ano e se movimentando em média 3mm em direção à Lagoa Mundaú, que também banha o bairro do Mutange, seria a atividade de mineração desempenhada por aproximadamente 40 anos pela empresa.

Ainda segundo o estudo, a exploração dos poços de sal-gema pela Braskem teria desencadeado uma ativação de falhas geológicas em camadas profundas do solo. A exploração do aquífero também é outro fator que contribui.

Valores

Em relação a quanto está avaliado o Centro de Treinamento Gustavo Paiva, localizado numa área de aproximadamente 34.000 m², o cartola não revela, alegando que “não pode se falar em valores no momento visto que não foi divulgado o laudo oficial”, e reitera que até o momento, embora o CSA esteja na área de calamidade, só será tomada alguma atitude no momento em que for emitido o laudo. 

Corretores imobiliários procurados pelo EXTRA estipularam um valor de aproximadamente R$ 180,00 o metro quadrado do CT, chegando a um total de aproximadamente R$ 6,2 milhões. O valor não leva em consideração as estruturas físicas do local, apenas o terreno.

O presidente Rafael Tenório - Foto: Gustavo Henrique/Ascom CSA

Procurada pelo EXTRA, a Braskem reafirmou apenas que desde o início dos eventos no bairro do Pinheiro - epicentro dos problemas - vem colaborando junto às autoridades competentes na identificação das causas e que não há, até o momento, laudo conclusivo que demonstre a relação entre as atividades da Braskem e os eventos observados no bairro. “A Braskem reafirma seu compromisso com a sociedade alagoana e com a atuação empresarial responsável, e de seguir contribuindo na identificação e implementação das soluções”, diz a nota.

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