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CANDIDATO AO OSCAR

Bela história do pequeno Joseph, na animação Umbrella, deve correr o mundo

Filme que levou quase 10 anos para ser feito pode se tornar o primeiro curta em animação brasileiro da história a concorrer ao prêmio

Correio Braziliense

11/01/2021 10h10

Umbrella está disponível até o dia 21 de janeiro pelo canal do YouTube da Stratostorm
Correio BrazilienseUmbrella está disponível até o dia 21 de janeiro pelo canal do YouTube da Stratostorm

Baseado em uma história real, Umbrella, curta-metragem em animação criado, escrito e dirigido por Helena Hilario e Mario Pece, está qualificado para disputar uma vaga no Oscar de 2021 e se tornar a primeira produção brasileira a conseguir uma indicação na categoria que tenta entrar. O filme é um trabalho de quase 10 anos do casal, que antes trabalhava com pós-produção e composição em cinema, mas agora investe em animação.

“É o projeto da minha vida, é o projeto do Oscar”, brincava Helena, entre amigos, quando mencionava o que pretendia fazer depois da finalização de Umbrella. “Uma coisa é brincar que queria entrar no Oscar, outra é ler nas notícias que Umbrella pode ser o primeiro curta em animação nacional a chegar a premiação”, afirma a diretora, sobre até onde este projeto chegou.

Tudo começou quando Helena recebeu uma ligação da irmã, em 2011. A parente trouxe uma história de que tinha visitado um orfanato e abrigo em Palmas, no Paraná, para entregar presentes de Natal às crianças. No entanto, um menino não quis nenhum dos brinquedos. Quando perguntado o que ele queria, ele falou que adoraria um guarda-chuva. O motivo era que as últimas memórias que esta criança tinha do pai eram de um dia chuvoso e, na cabeça dele, ele precisaria de um guarda-chuva para reencontrar a família.

Desta triste história foi criada a delicada narrativa do menino Joseph. “Uma criança que mora em um orfanato e sonha em ter um guarda-chuva amarelo, até que encontra uma menininha que veio doar brinquedos, e ela faz com que ele relembre todas as histórias que viveu no passado”, explica a idealizadora.

“Foi uma história que tocou a gente de uma forma tão pessoal, porque a gente conseguiu ver a inocência de uma criança, a única memória afetiva que ele tinha naquela idade era a lembrança de um guarda-chuva”, conta a diretora, emocionada. Foi desse sentimento de empatia e da esperança desta criança que Helena e Mario decidiram escrever o curta. “Naquela situação um gesto generoso da minha irmã se tornou em uma coisa que transformou as nossas vidas”, completa.

A mudança foi realmente geral, ainda em 2011 eles escreveram o roteiro e começaram a se inteirar de como poderiam executar a história nas telas. Após estudo e experiência, a dupla, que na época morava nos Estados Unidos, voltou para o Brasil, em 2014, e abriu a Stratostorm, estúdio especializado em animação e criação de conteúdo. Todo este movimento foi feito para viabilizar o Umbrella, que viria a ser o primeiro filme assinado pelos dois. Ao todo foram 20 meses de produção contando da ideia em 2011 ao produto final em 2019.No entanto, agora, todo esforço gerou frutos e as expectativas de serem indicados ao Oscar começam a crescer. “Dá aquele friozinho na barriga, mas nossas expectativas estão boas. A gente quer frisar que o Umbrella pode ser, sim, o primeiro curta-metragem de animação brasileiro a ser indicado ao Oscar na história. Fico até arrepiada em falar”, comenta Helena que aguarda ansiosamente o 9 de fevereiro, quando será divulgada a pré-lista de indicados ao Oscar. “Daqui até fevereiro é a gente indo na raça, fazendo com que as pessoas prestem atenção no filme, assistam, compartilhem e levem a voz do Brasil para todos os cantos”, acrescenta.

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