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Coronavírus deve inviabilizar desfile das Escolas de Samba

Extra/Globo

14/07/2020 08h08

Escolas de Samba garantem que só desfilam se houver vacina contra o Coronavírus
DivulgaçãoEscolas de Samba garantem que só desfilam se houver vacina contra o Coronavírus

A sete meses da data reservada para o carnaval, a incerteza ainda dá o tom no mundo do samba. Por conta da pandemia de Coronavírus, pouco se sabe sobre a festa do ano que vem. As grandes Escolas de Samba do Rio, cujos representantes vão se reunir hoje na Liga Independente, adiantaram ao EXTRA que não desfilarão em 2021, a menos que seja desenvolvida uma vacina contra o vírus que provoca a Covid-19. Mangueira, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel, Beija-Flor e São Clemente vão votar juntas pelo adiamento da festa por tempo indeterminado.

A possibilidade de transferência da data de início da folia de 14 de fevereiro para meados do ano que vem já não parece uma opção segura aos olhos de dirigentes. As agremiações lembram que dependem do trabalho de centenas de pessoas fechadas em barracões para confeccionar fantasias e carros alegóricos. Uma das hipóteses estudada seria transferir os desfiles para os feriados da Semana Santa, em abril, ou de Corpus Christi, em junho. A mudança no calendário está sendo capitaneada pelo prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), que defende uma solução conjunta para todos estados do país.

"Sem vacina, é inviável realizar o carnaval em qualquer data, seja em fevereiro ou junho. Hoje, as decisões judiciais têm muita força. Há o risco de fazermos investimentos altos e, lá na frente, o contágio voltar a subir e a Justiça determinar a suspensão. O carnaval é um evento de aglomerações, da produção à realização na Sapucaí. Como seria? Componentes a dois metros de distância? Cantando com máscaras no rosto?", questiona o presidente da Vila Isabel, Fernando Fernandes.

Para o presidente da Mangueira, Elias Riche, o momento é de concentrar esforços na luta contra o vírus. A Verde e rosa defende o adiamento do carnaval para 2022. "Como ficaria a consciência de um dirigente caso acontecesse a morte de, por exemplo, 50 componentes que tenham desfilado na sua escola?", reflete.

Os barracões das agremiações seguem parados. Apenas o planejamento dos desfiles — desenhos de fantasias e alegorias, projetos gráficos e construção das sinopses — está em andamento. Os diretores de carnaval da Imperatriz Leopoldinense, Marquinhos Fernandes, e da Beija-Flor de Nilópolis, Dudu Azevedo, também apontam a vacina como requisito para a realização do carnaval. Renatinho Gomes, presidente da São Clemente, faz coro:
"É simples: se chegar a vacina, teremos samba. Como vamos lidar com a multidão sem imunização coletiva? O adiamento para 2022 será inevitável, porque não teremos tempo hábil para arrumar a casa".

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