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Alagoas tem 30% dos médicos infectados pela Covid-19

Além da luta contra o Coronavírus, profissionais da saúde sofrem com o abalo emocional

José Fernando Martins

22/05/2020 14h02

O presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Marcos Holanda
DivulgaçãoO presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Marcos Holanda

Cerca de 30% dos médicos que atuam na linha de frente contra a Covid-19 no estado já adoeceram devido ao novo Coronavírus. A estimativa é do presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Marcos Holanda. Até o dia 13 de maio, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) precisou afastar 112 médicos com suspeitas de infecção, no entanto, até o momento, só 20 tiveram o diagnóstico comprovado.

“Nós, do Sinmed, acreditamos que o número seja maior. Não nos compete fazer esse acompanhamento rigoroso. Acho que tem mais colegas doentes. Pelo menos no Hospital Geral do Estado, onde trabalho, 15 cirurgiões testaram positivo para Covid-19, fora outros tantos da área clínica. Alguns evoluíram e estão em internamento hospitalar, inclusive entubados na Santa Casa, Arthur Ramos, Veredas e MedRadius. No Arthur Ramos, tínhamos três casos no começo do mês e, no Veredas, tenho conhecimento de um anestesista afastado com suspeita. Creio que deve ter mais em todas as unidades de atendimento. Na Santa Casa fiquei sabendo de um cardiologista que também chegou a ser isolado”, disse o líder sindical.

Até agora, houve um caso de óbito entre a classe médica, que foi da pediatra Eliana Buarque de Freitas Machado, diretora administrativa da Pediatria 24 horas, que não estava trabalhando na linha de frente contra o vírus. Holanda ressalta que, além dos locais citados, em diversas outras unidades de saúde também há relatos de médicos vítimas da pandemia.

“Se incluirmos todos os profissionais da área da saúde, a estatística deve subir para 50% e a situação pode se agravar se as pessoas não cumprirem a rigor o isolamento social e demais medidas protetivas”, alertou, lembrando que outro cuidado importante para evitar a contaminação entre os médicos (e profissionais de saúde, como um todo) é a qualidade dos EPIs. 

“Os gestores precisam ser rigorosos nos critérios de escolha do material comprado. O material tem que ser confiável. Infelizmente temos recebido denúncias de que alguns gestores estão comprando gato por lebre e isso nos preocupa demais. Por enquanto são suspeitas, mas, devido à gravidade, merece ser apurado. Caso isso esteja de fato acontecendo, cabe punição. Vale investigar se é verdade, e se é propositadamente, com conivência”, afirmou.

Sobre a saúde mental dos profissionais da saúde que trabalham nas salas de emergência e UTIs de hospitais, Holanda disse que a luta contra um vírus pouco conhecido está causando ansiedade em apresentar resolutividade. “Somado a isso tem desconforto da sensação de impotência, as limitações, o medo de nos contaminar e o estresse com a demanda crescente de casos. Ou seja, o abalo emocional é intenso”. 

“Nossa responsabilidade é gigantesca e nos preocupamos não somente com os pacientes, mas também com cada membro da equipe, observando sintomas, medidas protetivas, tudo, enfim, ao mesmo tempo, além de consultarmos a literatura médica para atualização. No nível de estresse que estamos, não adianta terapia psicológica on line. Disponibilizar um telefone ou canal interativo é inócuo. Precisamos de tratamento presencial personalizado, com técnicas que favoreçam relaxarmos da cabeça aos pés, por dentro e por fora. Nosso corpo está travado, e nossa alma, densa”, finalizou.

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