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Adiamento das Olimpíadas para 2021 pode custar R$ 13 bi para o Japão

Com Globo Esporte

25/03/2020 14h02 - Atualizado em 25/03/2020 14h02

Organizadores de Tóquio 2020 terão de renegociar diversos contratos
DivulgaçãoOrganizadores de Tóquio 2020 terão de renegociar diversos contratos

Com os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio adiados de 2020 para 2021 nesta terça-feira em decisão inédita do Comitê Olímpico Internacional (COI), o Japão pode ter um custo adicional de US$ 2,7 bilhões, cerca de R$ 13 bilhões na cotação atual (US$ 1 = R$ 5,10). A informação é do jornal japonês especializado em economia "Nikkei", que levanta também a questão de quem arcará com isso, afirmando que, provavelmente, serão os "contribuintes japoneses".

O presidente do COI, Thomas Bach afirmou em uma teleconferência com jornalistas do mundo todo nesta quarta-feira que o primeiro-ministro Shinzo Abe se comprometeu a "fazer tudo que for preciso".

'' Vai ser um custo adicional para os japoneses. Mas o primeiro-ministro Abe se comprometeu a fazer tudo o que for preciso. Todos foram impactados, jornalistas, atletas. Temos de fazer desses Jogos um símbolo de união'', afirmou Bach.

Os organizadores de Tóquio 2020 terão de renegociar inúmeros contratos. Dentre alguns dos custos extras estão a manutenção das arena e a possível mudança de locais de jogo. Por exemplo, o tradicional Budokkan, onde o judô está previsto para fazer suas disputas, está alugado no ano que vem para um evento. Ainda que a nova data dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos não tenha sido escolhida, isso é uma questão a ser pensada.

Há um problema também em relação à Vila dos Atletas, já que muitos dos apartamentos construídos para abrigar os esportistas no período dos Jogos já estão sendo negociados com possíveis compradores, e alguns - cerca de 1/4 dos 5,632 - já foram vendidos (há apartamentos que valem US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões).

O Comitê Organizador emprega também 3,5 mil pessoas como membros de seu estafe e talvez alguns percam seus empregos. As marcas que pagaram Tóquio 2020 para estarem atreladas aos Jogos Olímpicos também são uma questão. Elas pedirão reembolsos? Farão novos contratos? Readequarão os atuais?

A pandemia de coronavírus já registrou mais de 425 mil casos e mais de 18 mil mortes por complicações da Covid-19 em todo o mundo. Em sua 32ª edição, a previsão era de que 11 mil atletas, de pelo menos 204 países, disputassem os Jogos, distribuídos por 33 esportes. Se não bastasse esse contingente de pessoas, o COI e o Comitê Organizador do Japão tinha por estimativa que as provas recebessem até cinco milhões de espectadores de todo o mundo, nos 43 locais de disputas.

Finanças dos Jogos

Os órgãos governamentais japoneses e organizadores locais afirmam que estão gastando US$ 12,6 bilhões (R$ 64 bilhões) para realizar as Olimpíadas. Contudo, uma auditoria do governo reportou em dezembro que havia chegado a US$ 28 bilhões. Há sempre um debate sobre o que é custo olímpico e o que deve ficar fora dessa conta. Quando Tóquio venceu como cidade-sede em 2013, estimou os gastos em até US$ 7,3 bilhões (R$ 37 bilhões).

O dinheiro do setor privado representa US$ 5,6 bilhões (R$ 28 bilhões) do orçamento total de hoje, e o resto é dinheiro público. Tóquio gastou pelo menos US$ 7 bilhões (R$ 36 bilhões) com arenas permanentes e temporárias (85% disso é dinheiro público). A mais cara foi o novo estádio nacional, um projeto que chegou ao custo de US$ 1,43 bilhão (R$ 7,2 bilhões).

O COI, que fica na Suíça, contribuiu com US$ 1,3 bilhão (R$ 6,63 bilhões), uma pequena fração quando se pensa no total. A entidade máxima do desporto internacional teve ganhos em torno de US$ 5,7 bilhões (R$ 29,07 bilhões) no último ciclo de 2013 a 2016. Quase três quartos disso vêm de direitos de transmissão. Outros 18% vêm de patrocinadores. O Comitê tem ainda um fundo de reserva de US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) e um seguro para cobrir perdas.

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