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OPINIÃO

Os riscos para trabalhadores que enfrentam o Coronavírus nas ruas

Israel Lessa*

25/03/2020 09h09 - Atualizado em 25/03/2020 11h11

Ex-superintendente Regional do Trabalho e Emprego em Alagoas, Israel Lessa
DivulgaçãoEx-superintendente Regional do Trabalho e Emprego em Alagoas, Israel Lessa

O Estado de Alagoas decretou quarentena devido ao agravamento da proliferação da Covid-19 na região, porém alguns profissionais precisam estar nas ruas em defesa da população, sendo eles da saúde, motoristas e cobradores, funcionários das redes de supermercados e farmácias e também profissionais responsáveis pela limpeza urbana. Mas a principal preocupação é se eles estão recebendo suporte para que possam se prevenir contra o vírus. 

Ao longo dos últimos dias circulam nas redes sociais diversos áudios de profissionais da saúde relatando o drama que estão enfrentando. Um desses áudios foi compartilhado por uma profissional do Samu de Alagoas, expondo as condições de trabalho durante esse período e também as condições do Hospital Geral do Estado (HGE), que já tem suas limitações devido à pouca atenção que governo do Estado tem com a saúde pública. 

"Não tivemos treinamento. Cheguei no Samu e não sabia onde descartar a roupa. Nem eu e nem minha equipe. [...] Nós nos viramos, mas não tá certo. Vamos nos contaminar porque não tem preparo e nem ajuda de ninguém", diz um trecho do relato. A assessoria da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) preferiu não se posicionar sobre o caso.

Os rodoviários compõem outra categoria que também está nas ruas e expostos aos riscos da pandemia, pois continuam circulando por toda capital, transportando por dia centenas de pessoas por hora. O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Alagoas, Sandro Reges, afirma que tem trabalhado em prol da categoria nessa crise e que tem cobrado das empresas o básico exigido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde do Brasil. "As empresas na medida do possível estão atendendo as recomendações, porém muito dos materiais, como álcool gel, estão escassos no mercado, dificultando a aquisição", conta. 

A maior preocupação envolve os contratados que têm maiores chances de desenvolverem complicações ao contrair o Coronavírus, como diabéticos, hipertensos ou pessoas acima de 60 anos. "A categoria está atenta. Se a empresa quiser dar férias ao trabalhador, tem que ver como será mas nada de retirada de direitos ou redução de salário", pontua Sandro.

A situação desses profissionais necessita de atenção do governo do Estado. A população está sofrendo com a quarentena, não temos estruturas e nem saúde financeira para pausar nossas atividades. Tem sido um período difícil, mas precisamos de reforços, para que os trabalhadores que estão nas ruas pelo bem da população possam estar protegidos e continuem desempenhando o papel deles que é tão importante nesse momento. 

Um dos grupos que também entrou para a lista dos que estão mantendo o funcionamento dos serviços, por terem sido considerados essenciais nesse momento, mas que se sentem ameaçados e expostos ao vírus é o dos Correios. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, Alysson Guerreiro, afirma que o sindicato entrou com uma ação pedindo que a empresa forneça o material que possa dar o mínimo de segurança para esses profissionais e a Justiça deu 24 horas para que a empresa fornecesse. "Até o momento a gestão da empresa não cumpriu com a determinação judicial e isso prejudica os funcionários e a população, visto que o risco de contaminação é alto", enfatiza Guerreiro. 

Chamamos a atenção das autoridades para que possam dar atenção a esse gigantesco grupo de trabalhadores que estão nas ruas em meio a pandemia da Covid-19. Nós precisamos proteger esses profissionais que estão nas ruas. Sem eles não vamos conseguir enfrentar esse vírus e nem essa crise. Vamos juntos passar por essa fase, respeitando as regras e os profissionais que estão lutando lá fora.

*Ex-superintendente Regional do Trabalho

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA.

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