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DESLIZAMENTOS

Barra de Santo Antônio é citada em alerta sobre perigo das praias com falésias

Geógrafo afirma necessidade de monitorar áreas porque estão sujeitas a desmoronamentos

Tamara Albuquerque

22/11/2020 11h11 - Atualizado em 22/11/2020 15h03

Praia do Carro Quebrado, na Barra de Santo Antônio cenário cercado de falésias
DivulgaçãoPraia do Carro Quebrado, na Barra de Santo Antônio cenário cercado de falésias

A Barra de Santo Antônio, a 45 Km de Maceió,  foi citada entre os famosos pontos turísticos no país por atrair visitantes às praias com falésias. A Praia do Carro Quebrado, no município alagoano, é um exemplo onde as falésias reúnem a beleza do mar, dunas imponentes e coloridas e as formações sedimentares que são causadas pelo choque frequente das águas do mar com a terra firme e a ação do vento.

Assim como Torres (RS), Prado (BA) e Tambaba (PB), essas praias precisam ser monitoradas pelo poder público para evitar tragédias como a que ocorreu na Praia de Pipa (RN) esta semana, onde um deslizamento soterrou uma família. Segundo avaliação do geógrafo Wagner Ribeiro, professor do departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), entrevistado pelo portal Brasil de Fato, não apenas as praias, mas todas as áreas de falésias estão sujeitas a desmoronamentos e devem ser fiscalizadas regularmente.

O geógrafo afirma que cabe ao estado o papel de fiscalizar e promover, com equipes de geólogos e geógrafos, o trabalho em campo nas áreas de falésias para acompanhar, monitorar e identificar as fissuras. "Em caso de constatação desse problema, deve-se interditar a visitação ou, no mínimo, ter uma faixa de distanciamento”, aponta Ribeiro. 

A Barra de Santo Antônio já presenciou o mar engolir a Ilha da Croa num passado recente, destruindo imóveis e reduzindo a faixa de areia que proporcionava lazer aos visitantes e turistas. Mas não há registro de deslizamento ocorridos nas imensas falésias. Também não há registro de vistorias técnicas nesta parte do litoral. A morte da família na Praia de Pipa, ocorrida na última terça-feira, deve acender o alerta no país.

O litoral brasileiro possui diversas praias turísticas com falésias e para evitar que o deslizamento natural dessas estruturas gere  acidentes envolvendo pessoas, Ribeiro recomenda que além de regulamentar o número de visitantes com base em estudos técnicos e a fiscalização permanente, outra medida de proteção seria aliar o próprio turismo a processos educativos sobre as formações rochosas e seus riscos.

“Desse modo a gente teria na atividade turística, além da contemplação, que é sempre agradável e muito aprazível, uma formação mais ampla. Discutindo, por exemplo, como os processos naturais ocorrem na superfície terrestre, especialmente nesse caso envolvendo uma parte voltada ao litoral brasileiro. É uma atividade importante para o turismo, mas precisa ser feita com cautela", conclui o geógrafo.

A área do acidente na Praia de Pipa já apresentava problemas de deslizamento há pelo menos dois anos. Em razão disso, em junho de 2018 o MPF havia alertado sobre os riscos e solicitado medidas de prevenção, além de impedir a construção de um cais na região. 

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