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BAIRROS AFUNDANDO

Quase 90% dos moradores já aceitaram indenização da Braskem

Cerca de R$ 180 milhões em auxílios financeiros e indenizações já foram pagos.

Bruno Fernandes

17/10/2020 06h06 - Atualizado em 17/10/2020 15h03

Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto estão afundando
Afrânio BastosPinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto estão afundando

Das propostas de indenização feitas pela petroquímica Braskem, apontada pelo Serviço Geológico do Brasil como a responsável pelo afundamento dos bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto, em Maceió, 88% foram aceita pelos moradores afetados e que tiveram de deixar seus imóveis atingidos por rachaduras.

De acordo com estimativas da própria empresa obtidas pelo EXTRA, das mais de 1.800, cerca de 1.600 propostas de “compensação financeira”, como a Braskem prefere chamar, foram aceitas. Ainda existem outras 200 em análise por moradores ou advogados e apenas três foram formalmente recusadas. O número, no entanto, não previsão para chegar ao fim, visto que o problema continua aumentando gradativamente ao longo dos meses.

No mês de abril, após a realocação de mais de 20 mil pessoas das áreas de risco (hoje, cerca de 26 mil já foram realocadas), a Braskem adotou medidas para acelerar as compensações. Nos últimos 6 meses, o número de propostas apresentadas saltou de 251 para mais de 1.800. Até o momento, mais de R$180 milhões em auxílios financeiros e indenizações já foram pagos.

Comunicado ao mercado

Na sexta-feira, 10, a Braskem informou aos seus investidores que decidiu incluir mais 2 mil imóveis de Maceió no plano bilionário de ressarcimento de moradores atingidos pelo afundamento do solo. A estimativa substituiu a anterior de inclusão de 800 imóveis pela empresa e de 1.700 apresentada pela Defesa Civil Municipal de Maceió.

“Apesar do aumento dos gastos relacionados ao plano pela inclusão de imóveis adicionais, com base nas informações disponíveis até o momento, a companhia não espera alteração nos custos agregados estimados em 3,3 bilhões de reais”, afirmou a Braskem em comunicado ao mercado sobre o possível aumento no valor indenizatório das famílias.

Com essa última atualização, o número de imóveis desocupados ou que precisarão ser subiu para mais de 9 mil. Esse novo número também não altera o montante de R$ 8,3 bilhões já reservado pela petroquímica para reparar danos, indenizar famílias desalojadas e fechar definitivamente as minas. Os mais de R$ 8 bilhões chega quase a metade do valor de mercado atual da Braskem, de 17,5 bilhões de reais.

Flexal, no Bebedouro

Além do problema estar aumentando gradativamente para outras regiões de Maceió, inclusive com a possibilidade de chegar até a principal avenida de Maceió, a Fernandes Lima, de acordo com informações do Serviço Geológico do Brasil, duas comunidades localizadas no bairro do Bebedouro lutam para serem incluídas no “Programa de Compensação Financeira da Braskem”.

A versão 3 do Mapa de Setorização de Danos confirmou a situação de criticidade máxima no bairro do Bebedouro e recomendou a realocação total de 119 imóveis localizados na região, que estava fora dos mapas anteriores. No entanto o movimento Luto por Pinheiro afirma que as áreas do Flexal de Baixo e Flexal de Cima, estão sendo ignoradas pelas autoridades.

Um laudo realizado por um engenheiro civil contratado pelo movimento mostrou que a cada cinco casas do Flexal de Cima e de Baixo, quatro delas já deveriam ter sido desocupadas por estarem com estrutura criticamente prejudicada pela instabilidade do solo e consistirem um risco real de desabamento. Ao EXTRA, questionada pela não inclusão dos imóveis no mapa que serve para guiar a Braskem para futuras indenizações, a Prefeitura de Maceió informou que o laudo deve ser feito pelo Serviço Geológico do Brasil.

“Quanto à inclusão de novas áreas no Mapa de Setorização de Danos, a Defesa Civil esclarece que o procedimento requer estudos - junto com o Serviço Geológico do Brasil e Defesa Civil Nacional - para classificar, através de evidências, se o problema registrado na área estudada tem relação com a subsidência que afeta os bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto”, informou.

O órgão municipal, no entanto, orienta que, caso suspeite de situação de risco no imóvel onde mora, qualquer pessoa pode acionar a Defesa Civil, pelo número 199, para avaliação do problema e encaminhamentos necessários.

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