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Corais de Alagoas sofrem branqueamento após temperatura do mar subir

Especialistas afirmam que branqueamento dos corais tem impacto ambiental e socioeconômico

Redação

03/08/2020 14h02

Branqueamento de corais está sendo observado em vários estados do Nordeste
DivulgaçãoBranqueamento de corais está sendo observado em vários estados do Nordeste

Os corais de Alagoas e de outras regiões do Nordeste estão branqueando por causa do aumento da temperatura do mar, segundo informações do professor Marcelo Soares, do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) na Universidade Federal do Ceará (UFC).

Em entrevista ao jornal O Povo divulgada nesta segunda-feira, 3, o especialista explicou que já faz mais de sete semanas que a temperatura do mar está entre 29°C e 30°C. Normalmente, as águas ficam entre 26°C e 29°C.

Apesar de o aumento parecer mínimo para os humanos, ele é drasticamente recebido pelos corais de Alagoas, Pernambuco e Ceará, seres vivos imprescindíveis para a manutenção dos ecossistemas marinhos.

“Nos últimos 34 anos, a temperatura do mar do Ceará subiu quase um grau. Aí você me dizer assim, ‘isso é pouco’, mas não é. Porque se você pensar que aqui no Ceará a temperatura é bem estável, com quatro graus de diferença, a gente tem um aumento de quase 20% de temperatura”, explica Marcelo.

Corais são animais que vivem em simbiose (parceria entre dois organismos de espécies diferentes) com microalgas, conhecidas como zooxantelas.

Durante o dia, as microalgas alimentam os corais por meio da fotossíntese, enquanto à noite eles sacam pequenos tentáculos para capturar zooplânctons e fitoplânctons - minúsculos animais e plantas.

Quando a temperatura dos mares está mais alta que o normal, as microalgas ficam impossibilitadas de fazer a fotossíntese e o coral as expulsa para tentar sobreviver. Esse processo provoca o branqueamento dos corais, já que as zooxantelas são as responsáveis por colori-los.

Além de impactar diretamente no ecossistema marinho, o branqueamento dos corais tem consequências socioeconômicas. Marcelo Soares, que também é cientista chefe de meio ambiente da Secretaria de Meio Ambiente do Ceará(Sema), menciona que o primeiro impacto perceptível é para o turismo.

Principalmente no litoral nordestino, os recifes de corais coloridos e habitados por várias espécies marinhas são chamariz para a visitação turística. Mesmo que exista a possibilidade de os corais sobreviverem ao período de branqueamento, também há chances de que muitos morram, transformando os belos recifes em uma espécie de cemitério. "Até 2050, estima-se que 80% dos corais vão morrer. E até 2100, a estimativa é de 100% de morte, ou seja, vão ser extintos", diz Marcelo.

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