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AULAS NA PANDEMIA

Estratégias exitosas atraem estudantes da rede pública de Alagoas

Salésia Ramos

05/07/2020 18h06

Em Paulo Jacinto, professora cria consultoria de rotina com foco no Enem
DivulgaçãoEm Paulo Jacinto, professora cria consultoria de rotina com foco no Enem

A chegada da pandemia do novo coronavírus obrigou a sociedade fechar suas portas e ficar em casa. Com as escolas o cenário não foi diferente. Milhares de estudantes foram obrigados a interromper seus sonhos, cruzar os braços e torcer para que a doença fosse embora a tempo dos livros e cadernos não se perderem na poeira. Como o caos se instalava, o setor educacional buscou soluções e a Secretaria de Educação de Alagoas – Seduc – pensou em ações e estratégias para continuar as atividades, agora, de forma remota. Ideias inovadoras surgiram e as práticas exitosas têm atraído estudantes de toda a rede pública estadual.

As aulas remotas tiveram início em abril e as escolas mesmo com certas lacunas comemoram os resultados. Alguns deles podem ser comprovados nas publicações dos boletins apresentados pelas Geres (Gerências Regionais de Ensino) que exibem os exemplos que têm dado certo. Customização de capinha de celular, criação de pesos para a prática de atividades físicas, brinquedos e joguinhos de tabuleiro, porta lápis, porta trecos, feitos com material reciclável, são exemplos de promoção da sustentabilidade. Outra ideia que garante uma renda extra, sugerida pela Escola Estadual Djalma Barros Siqueira, em Coruripe, foi a produção de tapetes com roupas em desuso.

As experiências exitosas acontecem nas escolas da capital e do interior de Alagoas. Na E.E. Tarcísio Soares Palmeira, em São Miguel dos Campos, a criação de produtos com material reciclável, para trocar por alimentos a serem doados aos carentes da cidade, e o uso de roupas em desuso para a fabricação de máscaras para as pessoas que não possuem condições de comprar, são algumas ideias inovadoras.

A E.E Fernandina Malta, em Rio Largo, produziu no Laboratório de Ideias Inovadoras um suco rico em fibras, atividade interdisciplinar realizada pelos alunos com objetivo de reconhecer os alimentos saudáveis que devem ser consumidos diariamente. A atividade busca, ainda, identificar os grupos alimentares que fazem parte da alimentação saudável.

A Escola Estadual Muniz Falcão criou o Projeto Supera, que conta com três profissionais voluntários da área de psicologia que fazem atendimento virtual de professores, alunos, pais e comunidade local. A iniciativa surgiu com a percepção de que neste período de pandemia a saúde emocional é indispensável para a qualidade de vida, além de ser fundamental no processo de aprendizagem.

Para amenizar os impactos da pandemia, a Padre Teófanes, em São José da Laje, no Laboratório de Atividades Lúdicas, propôs aos alunos que assistissem a um filme em família, cantassem música, fizessem uma vídeo-chamada para parentes e amigos distantes e produzissem um texto explicitando os sentimentos vivenciados durante a atividade.

A Jorge de Lima, que atende crianças e adolescentes, apostou no potencial dessa clientela para propagar as informações sobre o mosquito Aedes aeggypti e as doenças transmitidas por ele, inclusive no âmbito familiar. Prova disso é que um vídeo publicado no YouTube com explanação das crianças tem feito sucesso.

Para o estudante do 3º ano do Ensino Médio Eduardo Vinicius Barbosa, da E.E. Deputado José Medeiros, em Paulo Jacinto, a iniciativa com aula remota é boa, mas por ter horário flexível para o estudo alguns alunos deixam de participar. “Há casos em que o celular não suporta baixar o aplicativo, daí dificulta a realização das atividades. Porém, nessas situações, a escola disponibiliza as atividades xerocadas”, disse o estudante.

Pensando em preencher essa lacuna na Escola Deputado José Medeiros onde trabalha a disciplina Sociologia e Laboratório de Ciências Humanas, a professora Hellen Cristina Araújo resolveu fazer uma consultoria de rotina por perceber que com a chegada da pandemia muitos alunos, além de ficarem em situação de isolamento social, tiveram outras demandas que até então não tinham.

Como exemplo, ela cita que os alunos passaram a fazer as atividades domésticas no horário que deveriam estar na escola, cuidar do irmão mais novo, do avô idoso ou trabalhar na roça.

A professora disse que essa mudança de certa forma fez com que eles entrassem no ostracismo e não desenvolvessem as atividades com êxito, respondendo apenas pelo aplicativo como uma espécie de obrigação e não buscando indo além, embora o Enem esteja aí.

“Muitos alunos perdem o eixo de se organizar, já que eles iam para a escola todos os dias e no mesmo horário. Além disso, gera comodismo e a rotina é um elemento extremamente importante para os estudos. Aí a consultoria de rotina busca de forma conciliadora, através de um diálogo com os alunos, definir um cronograma de estudo com foco no Enem”, afirmou a educadora.

Ela explica que a tentativa é conciliar dentro dessa rotina as limitações financeiras, questões psicológicas que acabam procrastinando e tendo ansiedade, conhecendo a realidade deles construir um cronograma de estudos para além das atividades do aplicativo. “Dentro dessa rotina dou dicas, por exemplo: se o aluno só pode estudar três horas por semana, a gente tenta organizar quais as disciplinas que ele tem mais dificuldades para dar prioridade. Outra dica é utilizar o aplicativo Pomodoro que cronograma o tempo de estudo. Assim consegue se dedicar e ter o compromisso perpetuando a rotina, intercalando com a própria dinâmica da escola como simulado, e aula com foco no Enem”, completou.

Outra iniciativa que deu certo foi a da E.E. Prof. Theotônio Vilela Brandão, que criou um site onde o aluno acessa o Google Classroom, as páginas da Seduc e de Alagoas contra a covid-19 como também sessão de fotos e Sageal. Existe, também, uma página do professor e do visitante.

NÚCLEO ESTRATÉGICO COMEMORA

Segundo Jacielma Pereira Leite, gerente do Núcleo Estratégico de Acompanhamento Pedagógico da rede estadual de Alagoas, a situação atual levou a descobrir novas formas de construir aprendizagens, e propor um modelo de escola ideal e possível para esse momento, e não só tentar transferir a escola para a casa do estudante.

“Esses laboratórios têm o objetivo de provocar uma aprendizagem significativa, que coloque o estudante como protagonista, e olhe para o território, o social, a casa e a rotina de cada um e o contexto que estamos vivendo”, disse, acrescentando que é preciso utilizar recursos que o aluno tem no momento e em casa, no entorno dele. “Há uma infinidade de possibilidades deles aprenderem”, frisa.

Para ela, é importante saber que, mesmo passando por essa situação, de um momento desafiador, triste, angustiante, desenvolveu algo, trouxe a luz para esse momento e conseguiu trabalhar mais próximo das famílias dos estudantes. “Isso é muito gratificante como profissional, como pessoa”.

A gerente explica que na primeira fase muitos trabalhos foram desenvolvidos e para acompanhar, a equipe organizou e as gerencias regionais montaram os informativos e a cada semana publicam com as escolas que são destaques nas atividades que foram propostas nos laboratórios. O primeiro evento com práticas exitosas já aconteceu e as escolas convidadas apresentaram os projetos que montaram. Uma segunda fase já está sendo implementada. “Todos os dados vão ser apresentado para a sociedade. O importante é que nenhum trabalho foi imposto e que nenhum conteúdo novo foi cobrado no primeiro momento nos sete laboratórios de aprendizagem”, afirmou Jacielma.

BOAS PRÁTICAS

A nova realidade criada pela pandemia da covid-19 levou o setor educacional a criar parcerias, a exemplo do Educação na Pandemia - Guia de Boas Práticas. O material, elaborado em parceria com secretarias de educação de vários estados, está disponível on-line e apresenta iniciativas de diversas secretarias, gestores e professores Brasil afora para que os estudantes mantenham vínculo com a escola e continuem com o aprendizado.
O guia tem como foco principal temas ligados ao protagonismo juvenil, revelando ações que priorizam a função social da escola como um centro de produção de conhecimento, socialização e construção de projetos de vida.

As boas práticas em Alagoas também estão inseridas neste guia. No caso de alunos do 1º e 2º anos do Ensino Médio da rede estadual, os roteiros de estudos, com propostas de atividades, dicas, sugestões e registros são enviados para os estudantes (pela internet ou por agentes comunitários, pontos fixos nas comunidades e outros meios de acordo com a realidade. Na verdade, cada roteiro é inspirado por um tema gerador e trabalhado em laboratórios de Língua Portuguesa, Matemática, Comunicação, Ideias inovadoras, Iniciativa social e comunitária, Atividades lúdicas e Clube de Leitura.

Para que os estudantes continuem entusiasmados em prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a rede estadual organizou o Projeto Foca Enem, com aulões ao vivo on-line, simulados semanais e rotinas de estudo com temas norteadores. Também foram criados pela rede o Enem Flix (sugestão de filmes relacionados com conteúdos das provas) e o Enem News (divulgação das notícias sobre o exame).


EM BUSCA DO SONHO

O Instituto Sonho Grande (ISG) é uma instituição sem fins lucrativos fundada em 2015. Desde então, atua para a melhoria da qualidade de aprendizagem dos jovens do Ensino Médio público brasileiro a fim de garantir a formação integral do indivíduo. Para tal, defende e trabalha em colaboração com o poder público em prol da implementação do Ensino Médio em Tempo Integral (EMTI), um modelo escalável e de alto impacto.

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