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CASO PINHEIRO

Afundamento do solo se intensifica e atinge novas áreas

Bruno Fernandes

24/05/2020 10h10

Nova região localizada no Bebedouro entra na mira do Serviço Geológico
DivulgaçãoNova região localizada no Bebedouro entra na mira do Serviço Geológico


Os bairros do Pinheiro, Mutange, Bom Parto e agora uma região maior do Bebedouro estão afundando de forma mais rápida segundo o Informativo Técnico Nº 01/2020 divulgado pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), que abriga o Serviço Geológico do Brasil.

As primeiras atualizações do monitoramento (entregues em fevereiro) apresentam intensidades de velocidade que vão de -235,7 até -100 mm/ano, representando uma intensificação do processo de afundamento. A nível de comparação, em 2018 as análises apresentavam intensidades de velocidade de -187,99 até -72 mm/ano.

“Isso já era esperado, o processo vem se intensificando há anos e sem previsão de quando poderá se estabilizar”, explica o geólogo Thales Sampaio, coordenador da equipe de pesquisadores da região e segundo o qual não existe de uma estimativa de que o fenômeno passe a ser considerado estável.

Como não bastasse a velocidade com que os eventos acontecem, outro fator de risco apontado pelo geólogo é que para uma possível atualização mais precisa do raio de locais atingidos, seria necessário encontrar 5 minas de extração de sal-gema da Braskem (ele não citou quais) que estão “desaparecidas”. Sendo assim, não foi possível examiná-las com sonar até o momento, mesmo com a perfuração de furos auxiliares.

“Para equilibrar o processo a área precisaria entrar em equilíbrio. Em tese, esse equilíbrio poderia ser alcançado pela acomodação dos espaços ‘vazios’ das cavidades ou pelo preenchimento adequado das mesmas. Nos casos semelhantes no mundo, esse processo de subsidência chega a durar muitas décadas”, explica o especialista.

A região onde mais foram encontrados indícios de aumento da velocidade média da subsidência se encontra próxima ao antigo Centro de Treinamento do CSA, que também foi abandonado devido ao problema, especificamente pelo avanço da lagoa provocado pelo afundamento do terreno.

Sobre as áreas de resguardo criadas ao redor das minas encontradas, a CPRM, informou que ao identificar as regiões, não considerou o princípio da precaução e que foi considerando tanto curto como longo prazo e “a alternativa mais segura para a população é que se considerem todas as minas para efeito de proteção da superfície sobrejacente”. A companhia enfatiza ainda que não é possível descartar o aparecimento de crateras a partir da informação atualizada divulgada no novo boletim.

Conforme esperado, o avanço da subsidência trouxe novas áreas ou intensificação de áreas já atingidas do setor com criticidade 1, com danos nas edificações que ameaçam imediatamente sua integridade e, consequentemente, a vida dos moradores. Nos últimos levantamentos de campo foram identificadas novas áreas na região sul do bairro do Bebedouro, próximas à Rua Faustino Silveira. Como recomendação, a CPRM orienta que essas áreas sejam tratadas da mesma forma que as áreas de “Criticidade 0” (risco iminente) pela Defesa Civil.

Por ser considerada uma nova região para os estudos e por não serem conhecidos sistemas de alerta automático eficientes, sendo o objeto ainda alvo de estudo, o EXTRA questionou o geólogo se é recomendável a evacuação também dessa região, já que foi recomendado que seja considerada como criticidade 0. “Os critérios de avaliação são definidos pela Defesa Civil”, afirmou Sampaio.

O órgão municipal foi procurado pelo EXTRA, e mesmo com a orientação da CPRM, a Coordenadoria Especial Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec) informou que toda a área com criticidade 01 do Mapa de Setorização de Danos e de Linhas de Ações Prioritárias vem sendo vistoriada para possível. "Até o momento, 46 imóveis inseridos nesta área de monitoramento já têm recomendação de realocação diante da evolução do processo de subsidência e as famílias passarão a ser atendidas pela empresa Braskem no Programa de Apoio à Realocação e Compensação Financeira".

Outra preocupação enfatizada no documento é o período chuvoso que já se iniciou em Alagoas, porém não existem cálculos seguros capazes de prever o agravamento do problema, uma vez que muitas variáveis teriam que ser consideradas, segundo o geólogo. “Para isso exigem instrumentação adequada e o desenvolvimento de um modelo de alerta, ainda não disponível na área afetada. Por enquanto, as pessoas devem se guiar pelas diretrizes da Defesa Civil”, enfatizou.

DESOCUPAÇÃO DOS IMÓVEIS

Um balanço do Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação (PCF) da Braskem mostra que 2.275 de 4.500 famílias afetadas pelo problema já foram realocadas para novos imóveis desde o início dos trabalhos, em dezembro de 2019. O programa faz parte do acordo assinado entre a empresa e a Defensoria Pública, Ministério Público do Estado, além de Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União

Em relação aos acordos de indenização, mais de 1.500 famílias ingressaram com pedido, das quais mais de 300 já receberam propostas de compensação e, até o fim de maio, o objetivo é chegar a 500 propostas apresentadas, segundo a empresa.

A empresa informou também que já recebeu no programa aproximadamente 1.000 famílias que estavam recebendo a Ajuda Humanitária do governo federal, e que já deixaram os seus imóveis. “A migração dos lotes segue acontecendo, assegurando a continuidade dos pagamentos para as famílias. Por meio dos programas de Apoio à Realocação e de Compensação, a empresa já pagou mais de R$ 32,4 milhões entre auxílios financeiros temporários e acordos de compensação”, disse por meio de nota.

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