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EDITORIAL

Cenário muito pessimista

Redação

04/04/2020 12h12

Estudo estima que 14% de todos os infectados com o vírus demandarão serviços de internação hospitalar
DivulgaçãoEstudo estima que 14% de todos os infectados com o vírus demandarão serviços de internação hospitalar

Num cenário em que 0,1% da população venha a contrair o vírus em um mês, faltariam leitos de UTI para os casos mais graves em 44% das regiões administrativas em que o SUS agrupa os municípios, segundo o Cedeplar - Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG. Para se ter ideia, uma taxa de 0,1% será alcançada quando o país alcançar 200 mil infectados.

O mesmo estudo prevê que num cenário um pouco mais pessimista em que a epidemia alcance 1% da população em um mês, os hospitais de 95% das regiões do SUS ficariam sobrecarregados, sem condições de atender a demanda e sem leitos para os mais graves. E em 51% dessas regiões, não haveria ventiladores suficientes para os doentes de maior gravidade.

Estudo da OMS baseado em outros países já atingidos pela epidemia, estima que 14% de todos os infectados com o vírus demandarão serviços de internação hospitalar, e ao menos 5% precisarão de maior atenção e equipamentos das UTIs. São números avassaladores quando sabemos das deficiências do sistema de saúde brasileiro.

Por outro lado, simulações feitas pela professora Márcia Castro e equipe, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, estima que em meados de abril irá faltar leitos no Brasil, se a epidemia repetir o mesmo curso da China. Dados confirmados essa semana pela Prefeitura de São Paulo, que anunciou a mesma previsão. 

O Brasil conta com 33 mil leitos (públicos e privados) de UTI em todos os estados, sendo que mais de 60% dos equipamentos se encontram no Sul e Sudeste. Norte e Nordeste, as duas regiões mais pobres – portanto, as que, teoricamente, mais irão demandar os serviços públicos na epidemia –, são as menos aquinhoadas com este tipo de equipamento.

Em municípios de pequeno porte então, o cenário poderá ser de filme de terror. Num panorama de lotação dos hospitais nas cidades maiores, a situação irá beirar o caos, já que ao não dispor dessa válvula de escape, só resta ao cidadão daquelas cidades esperar pelo pior. E sem atendimento médico.

Agora, se o desenho da epidemia no País for similar ao da Itália, onde 12% das pessoas foram infectadas, este país poderá enfrentar sérios problemas – inclusive de segurança pública – vez que os recursos hospitalares se esgotariam em poucos dias. No caso de situação tão grave, mesmo que o governo – como fez o italiano – assumisse as UTIs do sistema privado de saúde, isso só amenizaria um pouco o quadro por cerca de mais uma semana.

À mingua, as pessoas poderão se revoltar, elevando a temperatura política do País que já está quase em ponto de ebulição. Neste caso poderíamos conviver durante um bom tempo com o pior dos cenários. Crise na saúde e crise política. Um ótimo caldo para golpistas.

Se bem que para o pobre dependente do SUS, ser tratado à mingua pelo SUS, não é novidade. Pessoas morrem às centenas todos os dias por falta de atendimento, atendimento inadequado ou insuficiente. É o que chamamos de mortalidade silenciosa. 

Apenas com erro médico (designação genérica para a mortandade diária sem quase nenhuma consequência para seus responsáveis) são quase 500 mil vidas perdidas por ano. Números que envolvem o sistema público de saúde, mas também o privado. 

Para completar o quadro, num raro momento de disponibilidade razoável de recursos, dada a epidemia, o SUS vê sustadas suas compras (mínimas, diga-se de passagem) de equipamentos médicos na China. É que os EUA, após acordarem da letargia trumpiana em relação ao vírus, está fazendo uma “varrição” em todo o mundo, adquirindo medicamentos e equipamentos para atender sua população, o que, entre outras consequências, deixa os demais países sem acesso aos fornecedores. Buscam resolver o seu problema. 

Diferentemente de certo país abaixo do Equador, que está tendo que lutar até agora para seu líder parar de atrapalhar o combate à epidemia. Fã confesso do americano, quem sabe ele agora acorda e entende que os interesses pessoais não podem se sobrepor aos interesses geopolíticos e de saúde do país?

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