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EDITORIAL

Muitas dúvidas, poucas respostas

Redação

28/03/2020 12h12

Os que dependem do SUS serão as maiores vítimas
DivulgaçãoOs que dependem do SUS serão as maiores vítimas

No momento o que há de efetivo em torno da pandemia provocada pelo Coronavírus são muitas perguntas, poucas respostas objetivas, o povo recolhido em casa com medo e o claro sentimento da população de que, mais uma vez, está por sua conta e risco.

Qual será a taxa de mortalidade provocada pelo vírus no mundo? Qual será a taxa de mortalidade no Brasil? Podem-se transportar os dados do que está acontecendo na Europa ou na Ásia para o Brasil? Qual será o comportamento do vírus em favelas e em aglomerados urbanos com alta densidade de moradias inadequadas, de pequeno porte e com famílias grandes como residentes? A quarentena é a melhor solução? Quais os impactos que o vírus vai provocar na economia no pós-crise? Não há respostas neste momento.

Do ponto de vista médico, pesquisadores já sabem que uma pessoa infectada, vetor na linguagem deles, contamina até outras três; que o vetor se transforma rapidamente numa “fábrica” de vírus ainda antes dos sintomas aparecerem; que a taxa de letalidade varia de país a país, mas está diretamente ligada à idade: 42% dos pacientes infectados com mais de 80 anos irá a óbito; 32% dos infectados entre 70 e 79 anos também falecerão. Os números se reduzem para as pessoas entre 60 e 69 anos: 8%, e, abaixo disso, a taxa cai vertiginosamente. 

Além disso, pacientes imunodeprimidos ou com doenças preexistentes, como diabetes, cardiovasculares, câncer, além das pessoas que já têm doenças respiratórias crônicas como asma, enfisema, ou as que sofrem de doenças agudas graves como tuberculose, mesmo com menos de 60 anos, também estão no grupo de maior risco. Idosos e pacientes graves ou crônicos são cerca de 50 milhões de pessoas. Praticamente ¼ da população brasileira.

Os que dependem do SUS, defasado tecnicamente, sucateado e com recursos humanos insuficientes que, mesmo em tempos normais, mal dá conta de “atender” a 1/3 da população, serão as maiores vítimas da epidemia no Brasil. Estarão à mercê da roleta da sorte que, afinal, tem sido a forma de “escolher” quem vai ser atendido e quem vai morrer em nossos hospitais públicos há dezenas de anos. 

Estamos vendo todos os dias o lúgubre espetáculo de nações ricas e desenvolvidas sendo obrigadas a utilizar ambulâncias como hospital e caminhões em filas intermináveis, para levar os mortos aos cemitérios, vez que os serviços funerários entraram em colapso.

Por aqui, esse quadro pode ser ainda mais grave e é papel das autoridades (que não estão fazendo) preparar as pessoas para o que este país passará de fato nos próximos 60 dias.

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