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PRECONCEITO

Diretora é acusada de racismo contra professora dentro de sala de aula

José Fernando Martins

05/02/2020 07h07 - Atualizado em 14/02/2020 12h12

Caso teria acontecido no Colégio Agnes
DivulgaçãoCaso teria acontecido no Colégio Agnes

O Coletivo União das Letras, por meio das redes sociais, denunciou na terça-feira, 4, um caso de racismo no Colégio Agnes Maceió, localizado no bairro do Trapiche da Barra, em Maceió.

Segundo a publicação, a professora de gramática Thaynara Cristina da Silva, 25, teria sido ofendida pela dona da escola com um comentário preconceituoso. 

A proprietária Suely, conforme denúncia, teria pedido que se alguns dos alunos, que estavam presentes em sala, fossem a Ouro Branco trouxessem um chicote 'do bom'.

A finalidade do instrumento usado para domar animais seria para "fazer a professora se lembrar do tempo que tanto teme", uma menção à escravidão negra.

"Nós do Coletivo repudiamos essa e qualquer atitude racista. A dona da escola, além de ter cometido um crime e humilhado a professora publicamente, agiu sem nenhuma ética", destacou a entidade. 

Em conversa com o EXTRA, a professora deu mais detalhes sobre o ocorrido, que aconteceu dentro da sala de aula com estudantes da terceira série do ensino médio.

"Fiquei chocada e engoli o choro dentro da sala. Alguns alunos viram o quanto os comentários da diretora foram preconceituosos e chegaram a dizer isso para ela", disse.

Thaynara Cristina ainda contou que foi até a sala dos professores, onde Suely apareceu para pedir desculpas.

"Como argumento, ela disse que tratava as domésticas da casa dela como pessoas da família, que até comiam na mesma mesa que a família dela". 

 A cada desculpa, um preconceito maior. "Falou também que ela não era racista porque poderia ter contratado uma professora branca, mas que tinha me escolhido", lembrou a professora.

No fim, até teria surgido a proposta de Thaynara Cristina receber um terreno em Marechal Deodoro como modo de comprar seu silêncio.

"Irei registrar um boletim de ocorrência para processá-la. Tenho recebido muito apoio de advogados e entidades. Sou ativista e ensino meus alunos a lutarem contra o preconceito. Não posso decepcioná-los", concluiu.

Os alunos da escola estão organizando um protesto nesta quarta-feira, às 12h20, na porta do colégio, que fica na rua Euricles Protásio, 130, no Trapiche.

Outro lado

Em nota compartilhada no Instagram, o colégio Agnes comentou o ocorrido: "desculpas não são suficientes para reparar a dor causada no dia de hoje. Mas gostaríamos de pedir desculpa a todos".

A instituição de ensino também declarou que "irá tomar as medidas necessárias para o que aconteceu jamais volte a se repetir".

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