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NAVIOS DESCARTADOS

Abalos sísmicos podem ter causado manchas de óleo no litoral nordestino

Tremores de 5 pontos na escala Richter foram registradas na região pouco antes de aparições

Bruno Fernandes

03/12/2019 14h02 - Atualizado em 03/12/2019 15h03

Vazamento atingiu mais de 2 mil quilômetros do litoral das regiões Nordeste e Sudeste do País
DivulgaçãoVazamento atingiu mais de 2 mil quilômetros do litoral das regiões Nordeste e Sudeste do País

Atividades sísmicas no oceano atlântico próximo a poços de petróleo podem ter causado o vazamento de óleo que atinge o litoral do Nordeste nos últimos meses, informou o professor Humberto Barbosa, do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) em entrevista ao EXTRA.

Anteriormente, o principal suspeito era o navio Voyager I, das Ilhas Marshall e que presta serviços a duas empresas asiáticas. De acordo com a análise do Lapis, as imagens da empresa Marine Traffic, que realiza o rastreamento de embarcações mostravam que o navio teria realizado movimentos incomuns no trajeto da Índia até a Venezuela, passando pela África do Sul. Porém, o próprio sistema admitiu ter errado no registro do trajeto.

“A empresa dona do navio entrou em contato com o laboratório informando que não estavam na região relatada pelo Marine Traffic e enviaram os dados provando. Enviamos alguém ao escritório da Marine em Londres e pedimos revisão dos dados. Eles revisaram e confirmaram que havia um erro no sistema devido a quantidade de informações”, informou o especialista ao EXTRA.

Navio que foi apontado como suspeito de derramar óleo no Nordeste foi descartado

Para o chefe do laboratório ligado à Universidade Federal de Alagoas, no momento não há suspeitos, mas tudo indica que tenha sido um vazamento de óleo devido a atividades sísmicas de aproximadamente 5 pontos na escala Richter em regiões do Oceano Atlântico com fendas e poços de perfuração de petróleo.

“Não descartamos totalmente a possibilidade da origem ser de algum navio. Varremos toda região do litoral do Nordeste do Maranhão ao sul da Bahia e nessas varreduras vimos algumas manchas que podem ser associadas a navios. Porém, na costa da Bahia vimos óleo mas não tinha embarcação na região na época”, relata.

Ainda de acordo com Barbosa, o padrão encontrado em algumas regiões já foram catalogados por outros países e sempre está associado a vazamento natural.

“Apesar de não termos a confirmação, tudo indica um vazamento de causa natural no subsolo. Pode existir uma fenda que causou o vazamento de óleo. Esse padrão aparece exatamente nos períodos em que a região estava registrando abalos sísmicos”, explicou.

Caso a suspeita do Lapis se confirme, identificar a origem será ainda mais difícil. “Se for de origem natural será bem mais complicado achar o local certo, teremos que identificar a origem e enviar uma equipe in loco para analisar”.

O vazamento de óleo no Brasil atingiu mais de 2 mil quilômetros do litoral das regiões Nordeste e Sudeste do País. Os primeiros registros do derrame ocorreram no fim do mês de agosto de 2019. Até 23 de outubro, a contaminação havia atingido mais de 200 localidades de vários municípios dos nove estados da Região Nordeste.

Um relatório da Marinha divulgado no final do mês de novembro estimou que mais de duas toneladas de óleo haviam sido retiradas das praias nordestinas. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), trata-se do maior desastre ambiental já registrado no litoral brasileiro.

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