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microcefalia

Crianças da zika em Alagoas viram tema de reportagem especial

com BBC

13/06/2019 08h08

Ana com a neta Dayara: menina não consegue sentar sozinha, não fala, não anda, é cardiopata, e está desenvolvendo glaucoma no olho esquerdo
BBCAna com a neta Dayara: menina não consegue sentar sozinha, não fala, não anda, é cardiopata, e está desenvolvendo glaucoma no olho esquerdo

"As crianças da zika esquecidas em Alagoas, entre o futuro incerto e o medo da pneumonia". Esse é o título da reportagem especial da BBC sobre o drama de famílias que sofreram e sofrem com o zika vírus em terras alagoanas.

A reportagem foi publicada na quarta-feira, 12. A jornalista Ligia Guimarães veio até o estado e entrevistou pais, familiares e constatou deficiências da saúde pública.

Confira trecho

Na casa da alagoana Ana Lucia Mota de Oliveira, 48 anos, ficar parado é um desafio. Sob o calor forte dos 29 graus do outono em Maceió, é preciso se mexer a todo momento para escapar das picadas de insetos.

"É tanto mosquito que nem fazer uma comida você consegue. No fim da tarde, todo dia, meu marido espirra veneno na casa para tentar diminuir", diz.

Os insetos estão na sala, na cozinha, no quintal, e mesmo rodeando o rosto da pequena Dayara, 3 anos, sentada em sua cadeira de rodas.

"A gente precisa ficar o tempo todo batendo os pés, e sempre na frente do ventilador. E para dormir, ai de quem dorme fora do mosquiteiro", conta Ana que, além da neta, mora com a filha Yanara, 20, o filho Yan, 25 e o marido Yuri.

Na rua em que a família mora no bairro de Tabuleiro do Pinto, na periferia de Maceió, as casas não têm esgoto tratado, a rua não tem asfalto e há muito lixo espalhado pelo mato.

"Aqui é tudo zero, bem caótico". No terreno vizinho à casa de Ana, uma enorme montanha de lixo forma uma mistura pantanosa de restos de comida, entulho e sobras de material de construção.

Todos os membros da família de Ana já pegaram pelo menos uma das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti: zika, dengue e chikungunya. Mas nenhuma delas transformou tanto a história da família como a zika, que em 2016 atingiu Yuri, Yan, e Yanara, justamente quando a jovem estava grávida de dois meses e voltava de uma viagem ao interior do Estado, aos 17 anos de idade.

"Aos cinco meses da gestação fizeram o ultrassom e detectaram a suspeita de microcefalia na bebê. Eu comecei a chorar, entrei em pânico, a minha filha perguntava o que era que os médicos estavam dizendo e eu não tinha coragem de contar. Ela sonhava que a filha dela ia ser linda, e contar aquilo para ela foi muito difícil", lembra Ana, mãe de Yanara, que acompanhou a filha em todo o pré-natal: a jovem é deficiente auditiva, e coube à mãe mediar e "traduzir" toda a comunicação com os médicos e profissionais de saúde, em libras.

Confira a matéria na íntegra aqui.

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