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Política

Gestão de Vilela subestima avanços do programa Bolsa Família

Em publicação, Executivo tenta amenizar impacto positivo na economia alagoana

Gazeta Web

07/04/2014 11h11

Gestão de Vilela subestima avanços do programa Bolsa Família

Nos últimos dez anos, mais de 1,7 milhão de famílias de todo o Brasil saíram da linha da extrema pobreza graças ao programa Bolsa Família. Mesmo sendo considerado como fundamental para quem não nasceu em berço de ouro, o governo Teotonio Vilela (PSDB) segue rechaçando a importância do programa, que movimenta, mensalmente, mais de R$ 68 milhões na economia estadual. Na última edição da revista Caétes - de autoria do Executivo - o governo estadual avalia da seguinte maneira o programa: “Que Bolsa Família, que nada. Embora seja de extrema importância para o poder de compra para os nordestinos (…)”.

Não é a primeira vez que o governo Vilela utiliza as mídias para colocar no lixo a esperança de mais 440 mil famílias - que é o montante do grupo familiar assistido em Alagoas. Em 2013, numa entrevista à imprensa, o governador comparou o projeto de inclusão social a uma “esmola”, revoltando, com isso, usuários do programa. A declaração foi classificada como infeliz por diversas autoridades políticas. Em regra, os tucanos tentam criminalizar os ganhos sociais obtidos pelas políticas do governo Lula e Dilma, especialmente os ligados ao programa Bolsa Família.

Apenas no mês de março, o programa representou uma cobertura na ordem de mais 90% de famílias pobres no Estado. De acordo com o governo federal, os usuários cadastrados em Alagoas recebem benefícios com valor médio de R$ 154,17. O Programa é uma ação de transferência direta de renda que beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza. A ação faz parte do Plano Brasil Sem Miséria, que tem como foco de atuação os 16 milhões de brasileiros com renda familiar per capita inferior a R$ 70 mensais e está baseado na garantia de renda, inclusão produtiva e no acesso aos serviços públicos.

A coordenadora do Bolsa Família no Estado, Maria José Cardoso, diz conhecer vários casos que atestam a importância da inclusão social proporcionada pela transferência de renda. Para ela, as famílias atendidas relatam e vivem a mudança de cenário dentro do contexto social de cada região. “Há quase dez anos estou a frente dessa coordenação. Particularmente, já vi diversos casos de famílias que ascenderam da miséria para um condição social melhor, mais igualitária. Tudo isso graças ao Bolsa Família”,contou ela.

Órfão de pai desde o primeiro ano de vida, o estudante universitário Claiton Pereira, de 29 anos, é um exemplo de como o Bolsa Família foi fundamental para ascender socialmente. Agora, já na universidade estadual, cursando História, Claiton divide o tempo entre as salas de aulas e a coordenação do programa na cidade de Minador do Negrão. “As pessoas que são contra o programa não têm ideia das perspectivas que são abertas com a iniciativa. Elas não conhecem de nem perto a necessidade que se tem para o complemento de uma renda. Eu mais do que ninguém sei da importância dessa ação, porque já passei por dificuldades. No final do mês, quando acabava o dinheiro, era o Bolsa família que nos salvava”, recordou ele.


Em Brasília, Claiton foi homenageado em uma cerimônia que contou com a presença do ex-presidente da República e pai do Bolsa Família, Luiz Inácio da Lula (PT). O alagoano foi escolhido entre centenas de coordenadores de todos o país por ter sido um ex-usuário da ajuda federal e figurar agora como gestor do programa. “Foi um momento muito especial para todos nós. Representei os coordenadores e usuários do programa do Brasil. Acredito que a transferência de renda é importante para quem desejar sair da situação de vulnerabilidade. Sou um exemplo disso”, emendou Pereira.

O doutor em administração com ênfase em Instituições e Políticas Públicas (NPGA/UFBA) e mestre em Economia Regional e graduado em Ciências Econômicas (UFPB), Fábio Guedes, informou que muitas cidades do interior do Estado dependem, quase que exclusivamente, da movimentação financeira produzida pelos recursos oriundos do Bolsa Família. Outro ponto que ele chama atenção, diante da colocação do governo Vilela, diz respeito à frágil criação de empregos com carteiras assinadas no Estado. Entre os anos de 2011 e 2013, o índice de criação foi negativo, na ordem de 14.801 postos de trabalho.

As recentes mudanças estruturais e a crise no setor sucroalcooleiro deixaram inúmeros desempregados. E onde esse povo vai buscar renda, em um Estado que não se cria emprego como Alagoas? No primeiro momento, eles podem ser acomodadas pelo Seguro-desemprego e pelo Bolsa-Família, o que demostra a importância dessa ação para dezenas de pessoas. Sem os programas sociais, a exemplo do Pronatec, pode-se prevê o verdadeiro Inferno de Dante nas regiões urbanas das cidades em torno de v árias usinas fechadas”, argumentou Guedes.

Em recente levantamento, a Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) apontou que o Bolsa Família movimenta R$ 823 milhões por ano e, em alguns casos, o montante é superior ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

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