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24 de Abril de 2018

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Gogan Flores PITADA DE CRÔNICAS
Por Gogan Flores

12/01/2018 - 20:40:42

Coca mascavo

Dizer que você ama café só porque toma um café gourmet com cobertura de chantily e calda de morango artificial é o mesmo que dizer que seu carro preferido é o bom e velho fusquinha enquanto você dirige um New Beetle do ano.

Café tem que ser puro e preto, no máximo, com leite para os estagiários do ramo. Tem que amargar com força suficiente para fazer sua cabeça confundir fadiga com estiga. Tem que portar uma quentura infernal, mais ou menos uns cinco graus abaixo do calor de um meio-dia em Recife. 

Duas colheres de açúcar para os fracos, puro para os fortes, quatro gotinhas de adoçante para os que preferem um amargor mais cancerígeno.

Antes das seis, ele é o óleo diesel das empresas, depois das seis, essa coca mascavo mata mais sono que boleto atrasado. 

A dose também importa. Se você perder a mão, corre sério risco de se tornar uma espécie de Dilma em fast foward: ninguém vai entender nada que você diz e ainda vão arrumar um jeito de afastar você.

Se por acaso você, viciado em café gourmet de caramelo “brulê” latte, quiser se tornar um tomador de café genuíno, eu diria para você começar aos poucos, com pequenos passos. 

Um bom começo seria pedir ao barista para cortar a quantidade de açúcar pela metade. Você vai ver que 15 colheres de açúcar a menos já vão te fazer se sentir melhor. 

Em seguida faça o mesmo com os ingredientes restantes, retire a gordura saturada, o sódio, o corante automotivo e outros venenos. O que sobrar você esquenta e chama de café. 

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