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Elias Fragoso
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Por Elias Fragoso

Querem nos matar?!

Elias Fragoso

10/06/2019 15h03 - Atualizado em 10/06/2019 15h03

É padrão na indústria. Válvulas vazam, bombas começam a funcionar com defeito, componentes passam a operar inadequadamente, um colaborador vital à segurança ausenta- se por minutos de seu posto, a manutenção atrasa “um pouco”, equipamentos que segundos antes operavam perfeitamente falham, sistemas de alarmes deixam de funcionar... São algumas das inumeráveis possibilidades para o desencadeamento de incidentes ou acidentes industriais de pequeno, médio ou grande porte. E eles dramaticamente acontecem.

Em 1984, o desastre em uma indústria química em Bhopal na Índia foi considerado o pior desastre industrial da história. Expôs mais de 500 mil pessoas a substâncias tóxicas que feriram cerca de 40 mil pessoas, matando outras 2.259 (número próximo aos dos atentados das torres gêmeas nos EUA). A Braskem, não custa lembrar, é uma indústria química...

E uma das três maiores produtoras de resinas termoplásticas do mundo com faturamento superior a 55 bilhões de reais (2018), mas quase nada recolheu de impostos para Alagoas beneficiada nesses 40 anos por “incentivos” não mais cabíveis. E que já retirou de nossas entranhas minerais o equivalente a 50% do total do PIB brasileiro (notem o número e a discrepância da sua participação na receita tributária de Alagoas). Um despautério.

E qual o retorno que ela nos dá? Acaba de ser acusada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) como responsável pelos graves problemas dos bairros do Pinheiro, Bebedouro e Mutange, um dos maiores desastres (que, estranhamente, vem sendo minimizado no noticiário local e, literalmente, interditado no nacional) urbanos do Brasil. E agora se prepara para negar na justiça o fato e os direitos de mais de 50 mil pessoas atingidas por sua exploração malsã.

A Braskem, que pertence ao grupo Odebrecht, está envolvida na Operação Lava Jato (acaba de fechar acordo de leniência com a União no valor de 2,87 bilhões de reais para se livrar das acusações) é a mesma que em 2011 provocou vazamento de cloro em suas instalações no Pontal da Barra (em pleno conglomerado urbano de Maceió) atingindo cerca de 130 pessoas e que, em 2010, em outro acidente provocou a morte de um operário em suas instalações de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, na Bahia.

Relembramos estes fatos para retomar a temática da imperiosa, urgente e impostergável necessidade de transferência da Braskem do Pontal da Barra para local mais adequado. Essa bomba de potencial mortal de grandes proporções não pode permanecer onde está. Não custa lembrar: um acidente de grandes proporções poderá atingir até 1/3 da população de Maceió. Não é possível que autoridades, políticos e técnicos responsáveis por 1 milhão de maceioenses continuem a fazer vistas grossas à ameaça de mais um macroacidente que esta indústria pode potencialmente provocar a Alagoas e a Maceió!!!

Já não nos basta “assegurar” desde sempre os títulos de “campeã ou vice” na quase totalidade dos piores índices nacionais da educação, saúde, segurança pública, qualidade de vida, distribuição de renda, renda média per capita, IDH (índice de desenvolvimento humano), de crianças e adolescentes em situação de pobreza e tantos outros? O que querem mais? Matar-nos?!

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