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23 de Outubro de 2017

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13/08/2017 - 08:15:45

MC Guimê diz que foi tratado como 'animal'

BBC
Foto: Divulgação

De gorro, tênis e calça de moletom, Guilherme Dantas, de 24 anos, desfila em sua Range Rover Evoque pelas ruas de Alphaville. "Senhor Guilherme", como é chamado pelos seguranças e porteiros, se sente à vontade e quase nunca é incomodado dentro do condomínio de luxo localizado na Grande São Paulo - conhecido reduto de celebridades que vivem em mansões que chegam a tomar um quarteirão inteiro e custar mais de R$ 20 milhões.

Fora de Alphaville, Guilherme vira MC Guimê e não consegue dar muitos passos sem ser abordado por um fã pedindo uma selfie. Em oito anos de carreira, o jovem já acumula mais de 16 milhões de seguidores em redes sociais e emplacou o hit País do Futebol como uma das músicas mais tocadas durante a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, além de virar tema de abertura de novela das 19h na TV Globo no mesmo ano.

Em entrevista à BBC Brasil em uma pracinha dentro do condomínio onde mora, o cantor de funk conta que já sofreu preconceito nesses dois "mundos" onde viveu, mas que se adaptou e hoje consegue se sentir bem em ambos - mesmo ainda sendo alvo de discriminação.

"Enfrentar preconceito, eu já enfrentei muito. Não só aqui no condomínio, mas já enfrentei preconceito em aviões, aeroportos e, como dizem, em lugares de rico", afirma Guimê, que pediu para que a entrevista não fosse feita em sua casa, pois a piscina estava em reforma.

Fã de Zé Ramalho e Djavan, o funkeiro também defende a legalização da maconha e disse que as letras de suas músicas, tidas por algumas pessoas como machistas, apenas visam a "exaltar" as mulheres.

Para ele, seus verdadeiros fãs estão nas periferias.

O funkeiro, que faz shows em casas noturnas onde ingressos chegam a custar mais de R$ 300, lembra-se de algumas situações nas quais sentiu um preconceito velado.

"Às vezes, eu vou num restaurante chique e percebo que a outra mesa não está te olhando com carinho. Está te olhando e pensando: 'O que esse cara está fazendo aí, cheio de tatuagem, novão. Eu estou com tantos anos de vida, trabalhei para estar aqui, sou dono de empresa e esse cara está aqui'. Você vê que esse preconceito rola", diz.

Com roupas de grife, correntes chamativas e bebidas caras, ele posa para fotos ao lado de astros do esporte, como o jogador de futebol Neymar e o surfista Gabriel Medina. O cantor é um dos nomes mais importantes do funk ostentação, que traz letras de uma vida de luxo e excessos.

Mas o MC conta que também era alvo de preconceito mesmo antes de iniciar sua carreira, há oito anos.

"Quando não estava bem e tinha 15 anos, me lembro diversas vezes de que entrei em ônibus, no centro de Osasco (onde morava) e em vários lugares onde não era tratado como ser humano", diz.

Por outro lado, ressalva que muitas pessoas que o tratavam com desdém antes da fama, mudaram o tratamento nos últimos anos.

"Quando você está com uma roupa feia, numa má condição, pessoas te olham e te tratam como um animal, um inseto. E quando você está bem as pessoas te tratam como ser humano. E eu vi esses dois lados", diz o funkeiro.

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