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21 de Agosto de 2017

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11/08/2017

Advogada acusa desembargador de pedir propina

com TJ-AL
O desembargador Tutmés Airan e a advogada Adriana Wanderley - Divulgação

Uma denúncia contra o desembargador Tutmés Airan, acusado de cobrar para julgar favorável um recurso, já tramita na Corte alagoana.

A denunciante foi a advogada Adriana Mangabeira, que relatou que Airan estaria pedindo propina a partir de um escritório de advocacia, que tem como sócio o advogado, Lucas Almeida, enteado do desembargador. 

Sendo assim, o CNJ solicitou ao Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) a apuração da denúncia.  

Em nota divulgada nesta quinta-feira, 10, pela assessoria de comunicação do TJ, Tutmés Airan explicou que tudo não passa de "um ato claro e nítido de inconformismo" por parte de Adriana.

Confira a nota na íntegra

 O caso que originou as acusações a mim imputadas pela advogada Adriana Mangabeira Wanderley trata-se de ação de cobrança em que ela pedia a condenação da Braskem S/A ao pagamento de honorários advocatícios relativos a serviços por ela prestados.

 O processo foi sentenciado no primeiro grau favoravelmente à senhora Adriana Mangabeira e, não concordando com o teor da sentença, a Braskem S/A recorreu e a apelação foi distribuída por sorteio à minha relatoria.

 Após reanalisar os autos, identifiquei que o processo foi julgado sem que tivesse sido esgotada toda a fase de produção de prova, o que fere direitos essenciais, como o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.

 Em razão disso, determinei o bloqueio dos honorários, tendo o valor ficado depositado em juízo, onde ainda se encontra. Julguei indispensável essa medida em razão de a matéria ainda estar sendo discutida, bem como por conta do risco da irreversibilidade da liberação, caso fosse feito o saque do valor.

 Os demais integrantes da 1ª Câmara Cível também se convenceram da existência da irregularidade e, por essa razão, a sentença foi anulada à unanimidade de votos, decisão que foi mantida, também à unanimidade, no julgamento de embargos de declaração. É bom que se diga que o julgamento não foi feito de maneira individualizada, já que a 1ª Câmara é composta por três integrantes.

 Durante o julgamento dos embargos, fui, inclusive, contrário à aplicação de multa em desfavor dela, conduta que sempre adoto nesses casos, já que entendo que é direito da parte se utilizar dos meios de defesa disponíveis. Contudo, fui vencido e a Câmara decidiu pela imposição de multa, com base no fato de que matéria nenhuma pode ser rediscutida em sede de embargos.

 É importante frisar que o direito da advogada não foi negado, isso porque, com a anulação da sentença, o processo volta para novo julgamento no primeiro grau. Somente com a publicação de nova sentença este Tribunal poderá reanalisar o processo, caso seja apresentado o recurso adequado.

 Não me surpreende que a denúncia ao CNJ em meu desfavor só tenha sido apresentada depois do julgamento desfavorável à senhora Adriana Mangabeira. Um ato claro e nítido de inconformismo com o resultado do processo.

 Aliás, não é inédita a conduta da senhora Adriana Mangabeira de representar juiz que decide determinado caso de forma contrária a seu interesse, não sendo difícil localizar matérias jornalísticas que apontem esse fato e que, inclusive, imputam à advogada atitudes supostamente criminosas.

 Em sua representação judicial, a senhora Adriana Mangabeira cita que alguns advogados teriam privilégios nos processos de minha relatoria, os quais garantiriam resultados favoráveis. No entanto, tal acusação é totalmente leviana e afronta diretamente meu papel de magistrado.

 Não há nada que me desabone como julgador desde que iniciei o ofício da magistratura, no ano de 2009 especificamente, nem mesmo anteriormente, quando fazia parte da mesma classe profissional que a citada advogada.

 As portas do gabinete onde exerço a atividade julgadora sempre estiveram abertas a todos aqueles que sentiram necessidade de externar seus pleitos. E continuam. Não há e nem nunca houve lugar neste gabinete para tratamento não isonômico. Além disso, processo nenhum aqui sofre diferenciação, como afirmou a advogada. Informo, inclusive, que os nomes citados sequer atuam no processo em discussão.

 Devo lembrar que, antes de integrar o Tribunal de Justiça, fui advogado militante e, naturalmente, firmei laços dos mais diversos, os quais não interferem no meu dever profissional na qualidade de desembargador.

 Para fazer denúncias dessa gravidade, é indispensável que a mencionada advogada apresente as provas; provas que, estou tranquilo, não existem porque tenho plena convicção de que minhas condutas são sempre pautadas pela ética, pelo respeito às leis e pelo senso do que é justo e certo. Minha história e minha atuação social não me desmentem.

 Junto à representação, a citada advogada acostou uma fotografia com a qual tenta fundamentar a acusação de que alguns advogados visitam meu gabinete portando malas. Não vou adentrar no mérito do que ela tenta sugerir com essa afirmação, até porque tudo isso será apurado.

 Mas me cabe lembrar, embora sendo fato notório, que é grande o fluxo de pessoas de outros estados que frequentam Tribunais ou qualquer outro órgão jurisdicional a fim de acompanhar julgamentos, trazer memoriais, comparecer a audiências e não há qualquer impedimento quanto ao porte de bagagens, pastas e afins.

 Agindo como agiu, a senhora Adriana Mangabeira não me deixa escolha. Estarei ingressando com as medidas judiciais necessárias para, primeiro, esclarecer a total improcedência das denúncias feitas por ela e, também, para que ela responda pelos crimes cometidos contra mim na qualidade de magistrado. Também vou solicitar que o CNJ investigue a fundo o processo que deu origem a todas essas acusações.

 Por fim, declaro que sempre fui um homem de poucas posses e continuo sendo, inclusive, com a consciência tranquila, abro mão dos meus sigilos bancário, fiscal e telefônico para que se averigue as acusações a mim imputadas.

Tutmés Airan de Albuquerque Melo

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