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22 de Novembro de 2017

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Edição nº 947 / 2017

12/11/2017 - 08:11:52

Carta aberta denuncia bastidores da prefeitura de Santa Luzia do Norte

José Fernando Martins - [email protected]
Edson Mateus diz estar sendo perseguido pelo presidente da Câmara, Beto Policial - Foto: Divulgação

O pequeno município de Santa Luzia do Norte, com pouco mais de 7 mil habitantes, está no meio de uma grande crise política. O Executivo, encabeçado pelo prefeito Edson Mateus (PRB),  está em atrito constante com o presidente da Câmara Municipal, José Alberto Hermenegildo, o Beto Policial (Pros). E vice-versa. O vereador esteve à frente da Prefeitura entre os meses de setembro e outubro, período que Mateus foi afastado, junto com o vice José Ailton do Nascimento, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL) sob acusação de abuso de poder econômico durante as eleições de 2016. 

No entanto, liminar do ministro Antonio Herman de Vasconcellos e Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), autorizou seu retorno ao cargo.

Para inflamar ainda mais a situação, uma carta aberta denominada “População de Santa Luzia do Norte pede socorro e clama por justiça” convida órgãos como Tribunal de Contas do Estado (TCE-AL), Ministério Público Federal e Estadual e outras entidades fiscalizadoras para que façam uma visita à sede da Prefeitura do município a fim de constatar irregularidades em processos de licitação, pagamentos de funcionários e em comprovantes sobre a entrada e saída de dinheiro dos cofres públicos.

Vereador da cidade desde os 18 anos, Edson Mateus foi alvo de polêmica assim que ganhou as eleições municipais para prefeito no ano passado. Acusado de estupro de vulnerável, Mateus ficou detido do dia 15 de dezembro a 23 de janeiro no Quartel do Corpo de Bombeiros, em Maceió. Mesmo preso, conseguiu autorização para sair e tomar posse da Prefeitura. Quando solto, foi recebido com festa e ovações por parte da população.

Conforme a carta aberta encaminhada ao EXTRA, a conduta do gestor na administração do município tem levantado suspeitas. Ele teria atrasado o pagamento de funcionários públicos e fornecedores por mais de três meses. “Deixou de pagar serviços essenciais, como saúde, educação e assistência”, relatou a denúncia, que se estende a vereadores da situação e equipe de secretários. Parte do staff da prefeitura de Santa Luzia do Norte é formada pelo: secretário de Finanças Marcosmand Rodrigues, secretário de Saúde Davi de Oliveira, subsecretário de administração Gédson Moreira da Silva, contador Gédson Basílio, a irmã do prefeito Juliana Mateus. 

Comissionados, ainda segundo a carta aberta, receberiam salários três vezes por mês da Prefeitura. “Sem contar (...) um desvio de R$ 620 mil do Funprev – Fundo de Previdência”, destacou. O documento apontou também outras supostas irregularidades, como: pagamentos a empresas vendedoras de notas fiscais para reformas de escolas e de uma unidade básica de saúde. No entanto, a reforma teria se resumido em apenas uma pintura. 

A denúncia, como já mencionado, também cita vereadores aliados do gestor. É o caso de Fábio Lucena Felizado, mais conhecido como Professor Fábio, que teria sido contratado pelo município acumulando cargo público. “Além de receber os salários por diversos meses sem ter dado um dia de serviço”, destacou o documento. Outros edis são nomeados: Roberval Francisco, que seria homem de confiança de Edson Mateus. Francisco foi detido com outras pessoas, em setembro, sob suspeita de integrar um esquema de estelionato com clonagem de cartão de crédito.

Também se refere ao vereador Werdley Thiago Amaral que estaria envolvido no fornecimento de merenda ao município por meio de empresa da família, além de ser dono de um imóvel alugado pela prefeitura. Além de João Maia, que na administração passada, teria exercido à função de engenheiro contratado pelo município, atestando obras de um ginásio no valor de R$ 200 mil, que conforme a carta aberta, nunca saiu do papel. 

É perseguição, diz prefeito

Em conversa com o EXTRA, o prefeito Edson Mateus negou qualquer irregularidade em sua administração. Destacou que sua eleição incomodou políticos de peso já que o eleitor resolveu eleger um “homem do povo, pobre e negro”. Sobre as acusações, ele negou qualquer desvio no fundo previdênciário do município. Disse que está sendo recolhido os repasses pontualmente. 

Quanto ao caso do vereador Fábio, explicou que ao saber sobre a ilegalidade de se acumular cargo, o professor deixou de integrar o funcionalismo do município. Também respondeu a questão da merenda informando não ter vínculos com empresas de parentes com o vereador. Sobre os processos que responde, informou acreditar na Justiça. 

E ainda questionou a credibilidade da carta aberta afirmando saber que foi escrita por uma pessoa que nem mora na cidade a mando do presidente da Câmara de Vereadores, Beto Policial, um dos seus ex-aliados políticos. À imprensa, declarou que irá denunciar o vereador ao Ministério Público Federal (MPF) por desvio de dinheiro dos cofres do Executivo durante os dias que ficou à frente da Prefeitura. Já Beto Policial contou ao EXTRA que não tem nada contra o prefeito da cidade. “Assumi o Executivo apenas por uma questão de que lei se cumpre. Mas não irei assumir a má administração dos outros”. 

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