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21 de Agosto de 2017

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Edição nº 934 / 2017

10/08/2017

Delegado Jobson Cabral é acusado de cobrar propina no crime do francês

Vera Alves [email protected]
Jobson Cabral rechaça acusação de cobrança de propina

Aposentado há cerca de quatro meses da Polícia Civil, o delegado Jobson Cabral de Santana é acusado pelo advogado Sérgio Sfredo de tentativa de extorsão. Cabral foi o presidente do inquérito policial que investigou a morte do advogado Marcos André de Deus Felix. Delegado titular em Marechal Deodoro por mais de uma década, estava atuando na Delegacia de Maragogi até se aposentar e já havia tido sua atuação no caso da Praia do Francês questionada pela defesa dos Sfredo.

Impronunciado pela Justiça de Marechal no caso, Sérgio Sfredo tem atuado na defesa da esposa, Janadaris, desde então. Oficial aposentado da Marinha, ele tenta obter a conversão da prisão preventiva dela, decretada em outubro do ano passado, em prisão domiciliar. Com todos os recursos negados em primeira instância e pelo Tribunal de Justiça de Alagoas, recorreu então ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que em fevereiro também negou o pedido, mas desta vez entrou com um recurso estrito no qual faz um relato pormenorizado de todo o trâmite ao longo destes três anos e cinco meses.

No documento de 35 páginas, Sérgio Sfredo acusa o delegado Jobson Cabral de ter lhe pedido dinheiro em duas oportunidades durante o período em que esteve preso no Baldomero Cavalcante. Foram 85 dias no presídio antes de ser transferido, com a esposa, para uma sala no Quartel Geral do Corpo de Bombeiros. A primeira tentativa de extorsão teria se dado através do advogado Leonardo de Moraes, então defensor do casal, e teria como objetivo a liberação do veículo de propriedade de ambos e que havia sido apreendido pela polícia.

Em uma segunda oportunidade, em maio de 2014, o delegado teria pedido dinheiro com a promessa de libertar Sérgio. O intermediário da proposta foi apontado como sendo um policial militar também preso no Baldomero, identificado apenas como B. Silva. O PM teria dito já ter trabalhado com Cabral e que este, por ter conhecimento com o juiz que conduzia o processo, poderia obter a liberdade para Sérgio. 

O juiz, no caso, era Léo Denisson Bezerra de Almeida, o mesmo que em março de 2015 foi acusado de pedir R$ 200 mil para a liberação de Sérgio. Investigado pela Polícia Federal, o magistrado acabou sendo afastado de suas funções pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e hoje é alvo de procedimento de controle administrativo que investiga também suas suspeitas ligações com o ex-prefeito de Marechal, Cristiano Matheus.

O afastamento do juiz, aliás, é apontado por Sérgio Sfredo como um dos motivos para as sucessiva negativas da justiça estadual aos pedidos de relaxamento da prisão da esposa. Seria uma retaliação às denúncias do casal ao sistema judiciário alagoano e à atuação do Ministério Público Estadual que, na avaliação do advogado, tem se dado de forma seletiva.

O recurso estrito no Habeas Corpus 388838/AL que tramita no STJ está hoje sob a relatoria do ministro Rogério Schietti Cruz, aguardando seu parecer, depois de ter passado pelas mãos da ministra Maria Thereza de Assis Moura que, em maio último, se averbou suspeita, já que por duas vezes havia negado o pedido de conversão da preventiva em prisão domiciliar.

OUTRO LADO

O EXTRA conversou com o delegado aposentado Jobson Cabral sobre a acusação de Sérgio Sfredo feita no STJ. Ele retrucou com veemência a denúncia e afirmou textualmente que Janadaris Sfredo é uma bandida e que o marido é pau mandado dela. Reafirmou ainda que o inquérito sobre a morte de Marcos André é perfeito. Ele já havia dito isto quando questionado, no ano passado, sobre as críticas da defesa do casal, segundo as quais o inquérito policial foi direcionado de forma a culpar Janadaris e o marido.

Cabral destacou ainda que a própria Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas o parabenizou pela condução do inquérito e ressaltou que todos os depoimentos foram dados com a presença de advogados dos acusados. Todos, segundo ele, confessaram suas participações e apontaram Janadaris como a mandante. 

Disse, ainda, que se o juiz Léo Denisson pediu dinheiro para alguma coisa é “problema dele”, em referência às investigações do CNJ.

Igualmente procurado pelo semanário, o advogado Leonardo de Moraes, que teria servido de ponte entre o delegado e Sérgio Sfredo, disse desconhecer por completo qualquer tratativa envolvendo dinheiro para libertação de Sérgio. Elogiou a conduta de Jobson Cabral no caso e afirmou que deixou a defesa dos Sfredo por falta de pagamento.

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