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17 de Agosto de 2017

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Edição nº 918 / 2017

25/04/2017

Cresce número de motoristas flagrados sem habilitação em Maceió

Maior parte dos flagrantes aconteceu na parte alta da capital; multa de R$ 880 não inibe irregulares

Bruno Fernandes Estagiário sob supervisão da Redação
Major Felipe Lins: ações visam preservar vidas

Mais de 600 motoristas foram flagrados conduzindo veículos sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) entre 1º de janeiro e 16 de abril deste ano em Maceió. Os números divulgados pelo Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) mostram que a quantidade é alta em comparação aos primeiros trimestres dos anos de 2014, 2015 e 2016.

Não é difícil encontrar notícias em sites e jornais de acidentes envolvendo vítimas fatais causados por condutores inabilitados que comprovem esses dados, todos os dias, motoristas são flagrados cometendo essa infração considerada gravíssima pelo Art. 162 do Código de Trânsito Brasileiro e que resulta em multa de R$ 880,41, além da apreensão do veículo.

O relatório de autuações feitas pelo BPTran nos três primeiros meses e a primeira quinzena de abril não leva em consideração ações realizadas durante operações da Lei Seca. No total, 18.679 veículos foram abordados pelas equipes, 709 foram recolhidos ao pátio do Detran e 389 motoristas tiveram a habilitação recolhida por diversos motivos, alguns deles são: embriaguez, recusar-se a realizar o teste do bafômetro e documentação vencida. Esses números são resultados da intensificação das operações de fiscalização realizadas pelo BPTran em parceria com outros batalhões e agentes da SMTT em bairros nas partes alta e baixa de Maceió.

Embora muitos motoristas dirijam sem a habilitação porque têm dificuldades para serem aprovados no exame de direção, ou devido ao valor alto para se tirar a carteira, outros já estão habituados a cometer certas infrações, como explica Christian Vicente, diretor de ensino de uma autoescola no bairro do Trapiche. 

“Só a taxa do simulador acrescentou cerca de R$300 no valor para se tirar a carteira de um ano pra agora”, afirma Christian, que explica também o processo de pagamento e algumas das taxas que são cobradas: R$334,88 são para taxas do Detran destinadas à abertura do processo e para realização dos exames médicos; entre R$1.100 à R$1.200 são para aulas em autoescolas, dependendo do monitoramento feito pode-se acrescentar mais R$ 80,00 ao valor, resultando em um total de aproximadamente R$1.400 a R$1.500 para ter o documento.

Junior Silva (pseudônimo), 21, tirou a carteira de habilitação aos 18, porém, afirma que dirige desde os 10 anos. Ensinado pelo pai, nunca foi pego em blitz enquanto dirigia sem autorização. “Quando eu avistava de longe entrava em qualquer outra rua, ou às vezes passava na blitz, mas ninguém nunca me parou”.

Embora tenha conseguido tirar a carteira na primeira tentativa, Junior acha a lei muito dura pois não dá uma chance para quem tem experiência no trânsito. “Ficaria mais fácil se o carro que a gente fizesse o teste prático fosse o nosso e não da autoescola”.

Existem diversos “Juniors” conduzindo veículos sem a devida habilitação ou idade para tal, colocando em risco a vida de pedestres e até mesmo outros motoristas.

O aumento no número de flagrantes e apreensões realizadas na capital apenas pelo BPTran, se deve à mudança no modo de atuação do batalhão, antes focada apenas em autuações de trânsito. As guarnições agora estão mais atuantes no policiamento ostensivo, dando apoio a operações como a “Operação Sufoco” junto ao Bope.

Motociclistas lideram infrações 

De acordo com o major do BPTran, Felipe Lins, é considerável o aumento no valor das taxas impostas pelo governo federal para adquirir a CNH, porém, ele reforça a importância do documento que confirma a capacidade da pessoa em dirigir e destaca a alteração no modo de atuação do batalhão com o objetivo de salvar vidas.

Passando a atuar de modo mais ostensivo, houve um aumento no número de infrações de trânsito rotineiras, porém a quantidade de armas e drogas apreendidas além da recuperação de veículos roubados cresceu significativamente.

O relatório aponta que, de 613 condutores flagrados dirigindo sem a habilitação, 70% são motociclistas que conduziam sem capacete de segurança, e 20% são mototaxistas, a maioria com idade entre 18 e 25 anos. 

Boa parte das apreensões de veículos, CNHs recolhidas, motoristas inabilitados e veículos recuperados ocorreu na parte alta da capital, principalmente no bairro do Benedito Bentes. Enquanto em apenas três meses já foram feitos mais de 600 flagrantes, o ano de 2014 fechou com aproximadamente apenas 800. 

Para o major, a inversão de valores influenciou no aumento do número de motoristas inabilitados. Além da possibilidade de se adquirir um veículo no nome de outra pessoa, muitas concessionarias vendem o carro sem exigir os documentos de habilitação do comprador. “Hoje as pessoas compram o carro para depois tirar a CNH”, revela o major.

Com aproximadamente 60 operações realizadas todos os meses, e algumas realizadas próximo ao Detran, diversos motoristas são parados e autuados por dirigirem sem habilitação, muitos a caminho para buscar o documento.

Outros números também impressionam no relatório: foram feitas um total de 6.157 autuações, 45 flagrantes de embriaguez e apreendidas 12 armas de fogo, além de 500g de cocaína apreendida, essa, apenas na Semana Santa.


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