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Alagoas, 27 de Junho de 2017

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Edição nº 918 / 2017

25/04/2017

Os vulgos na política brasileira

CLÁUDIO VIEIRA

Quem acompanha o noticiário policial sabe que, via de regra, os marginais têm apelidos bem apropriados, seja às suas condições de importância junto aos asseclas ou a alguma característica física, psíquica, moral ou comportamental; ou a outra qualquer, apodos às vezes conquistados na infância: “cruel”, “caolho”,“biriba”,“cutelo”, “catita”e tantos mais que seria cansativo nomeá-los. Visite-se, então qualquer penitenciária do mundo, lá estarão os apelidados. No Brasil, Papuda, Bangu, Alcaçuz, cada estabelecimento carcerário tem acervo próprio a batizar os seus habitantes forçados. Como se tratam de pessoas marginais, o dicionário parajurídico substitui o termo ameno e democrático “apelido” por “vulgo”, mais consentâneo com a repulsa e o desprezo da sociedade por tais indivíduos.

A interminável Lava Jato tem revelado os aspectos mais repulsivos da política brasileira. É uma nação estarrecida que, diariamente, vem tomando conhecimento das torpezas do jogo político, torpezas essas – atrevo-me a afirmar – praticadas com o beneplácito da maioria nacional que vem insistindo em, pelo voto livre em tese, transformar pessoas indignas em nossos representantes. Se a maioria guinda tais políticos ao protagonismo no Poder, há a minoria que observa apática, inerte, até fastienta e desinteressada. Impressiona-nos ver políticos cujos nomes estão no noticiário policial, seja como corruptos, lavadores de dinheiro ilícito, prevaricadores e outros, à proximidade das eleições gerais serem apresentados como candidatos vitoriosos, imbatíveis, até bem avaliados em pesquisas de opinião enfim, com eleição ou reeleição garantidas. Há, ainda, os que são considerados decisivos apoios aos postulantes aos cargos eletivos. Assim, com a contribuição incompreensível do eleitorado, “caranguejos”, “bocas-moles”, “todo-feios”, “cajus”, “pinos”, “angorás”, “feias”, “feios”, “lindinhos”, e outros mais, possivelmente estarão mantidos ou novamente reconduzidos aos seus palcos de corrupção, balcões de negócios a isso por eles transformados os governos, em todos os níveis e em todas as esferas federativas. Com tantos vulgos, as instituições brasileiras, outrora povoadas por um Bonifácio de Andrada (no primeiro Império), um Rui Barbosa, um Joaquim Nabuco, e outros mais que honraram a política brasileira, parecerão institutos penais. 

O proverbial Epaminondas aproveitou a consideração final do parágrafo anterior para sentenciar: “Se não são cadeias, ao menos antessalas são”.

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