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21 de Agosto de 2017

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Edição nº 851 / 2015

11/12/2015

Olhar de Nise é escolhido para encerrar festival de cinema em Los Angeles

Da Assessoria

Único documentário brasileiro selecionado, Olhar de Nise, de Jorge Oliveira e Pedro Zoca, será exibido neste sábado, 12, no Hollywood Brazilian Film Festival de Los Angeles. A sessão, marcada para às 16h, será no Teatro Montalbán. O festival escolheu Olhar de Nise para encerrar o evento que este ano selecionou doze filmes entre as melhores produções para representar o Brasil.

Olhar de Nise, produzido e editado por Ana Maria Rocha, conta a trajetória de vida da psiquiatra alagoana Nise da Silveira. É um documentário com reconstituição de cenas. Foi aplaudido de pé na Mostra Panorama Brasil do 48º Festival do Cinema Brasileiro de Brasília. A mesma recepção o filme teve em outubro, no Rio de Janeiro, quando passou no Cine-Odeon, na Cinelândia, para um público que lotou os 550 lugares do cinema. A renda foi revertida para a Casa das Palmeiras, clínica psiquiátrica criada por Nise em 1950.

O filme mostra como Nise se rebelou contra o choque elétrico e revolucionou a psiquiatria no mundo usando a arte-terapia como tratamento das doenças mentais. No documentário, o artista plástico Almir Mavignier, que mora na Alemanha, conta como ajudou Nise a implantar a arte-terapia dentro do Hospital D. Pedro II, no Engenho de Dentro, no Rio, ao descobrir os pacientes com vocação para pintura. 

Na entrevista em Hamburgo, onde mora até hoje, Almir Mavignier, 90 anos, professor universitário aposentado, fala sobre a sua história com a Nise e como descobriu os pacientes que tinham vocação para pintura naquele manicômio onde, segundo ele, viviam em total abandono, desprezados pelo poder público até serem reconhecidos pela crítica por suas obras valiosas.

Olhar de Nise resgata a história de uma das mulheres mais importantes do século XX, a primeira alagoana a se formar em medicina na Bahia, numa turma onde só tinha homens. Exibe uma entrevista inédita de 1997, dois anos antes da morte dela, onde a doutora conta toda a sua trajetória de vida: a infância em Maceió, os estudos na Faculdade de Medicina em Salvador, a chegada ao Rio de Janeiro, a sua prisão na ditadura de Getúlio Vargas, onde ficou com o escritor Graciliano Ramos, e o início dos seus trabalhos como psiquiatra Hospital da Praia Vermelha, em Botafogo.

Olhar de Nise tem sido bem recebido pela crítica desde que foi exibido na Mostra Panorama Brasil e no Rio. Mas uma carta, em particular, enviada ao diretor Jorge Oliveira pelo documentarista Vladimir Carvalho emocionou a equipe que produziu o filme.

Um clássico do documentário brasileiro

Vladimir Carvalho

Olhar de Nise, de Jorge Oliveira,  é  um filme de extraordinária força narrativa e fidelíssimo ao colocar o espectador de cinema vis-à-vis com uma das personalidades mais marcantes da cultura e da sociedade brasileiras. 

Nise da Silveira está rediviva ali, e de corpo inteiro, inabalável e contagiante em sua ação para transformar  práticas clínicas retrógradas, para não dizer violentas e atrasadas, lutando com todas as suas forças para vencer uma mentalidade que não tinha – e não – mais razão de ser.

Ela ficará na história como uma autêntica revolucionária, como criadora de um método terapêutico por via deste filme que poderá desde já ser considerado um clássico do documentário brasileiro. 

A pioneira de Engenho de Dentro, lugar de verdadeira virada da psicoterapia do país, permanecerá para sempre na memória de quem a conheceu e com ela conviveu e agora passa a certa imortalidade junto, em geral, até onde pode ir as imagens e os sons aliciantes de um filme exibido nos cinemas e na televisão e-  espera-se – também nas escolas, como uma mensagem de esperança e fé no ser humano. 

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